Uma cidade, dois esportes com realidades diferentes


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Dois esportes mexem mais com a emoção da torcida em Franca e região. Um deles, o futebol, é a paixão nacional e principalmente em 2006, ano de Copa do Mundo, na qual o Brasil tem grandes chances de conquistar o sexto título mundial. Já a outra modalidade que mobiliza jovens torcedores e que ganha repercussão nacional é o basquete masculino. E um abismo estrutural e financeiro separa ambos. Enquanto o time de basquete é um dos melhores do Campeonato Brasileiro e voltou aos playoffs depois de cinco anos, a Francana fez todos os esforços para não cair à Quarta Divisão do Campeonato Paulista. E a sensação é que, a cada dia que passa, torna-se mais difícil voltar à elite do futebol do Estado, o como em 1978 e 82. O contraste nos resultados que ambas as equipes obtêm nas suas respectivas competições é também reflexo do apoio – do poder público e da iniciativa privada – que cada uma delas recebe. A Francana atuou toda a Série A-3 sem patrocínio nas camisas e só 18 empresas dispuseram-se pagar por uma placa de publicidade no Lanchão. Já o Franca Basquete recebeu o patrocínio de uma indústria de calçados, a Mariner, e de uma empresa de planos de saúde, a Unimed. No Poliesportivo, vê-se marcas de empresas anunciantes em todos os setores do ginásio, o que proporciona uma renda mensal para o Franca Basquete (em torno de R$ 180 mil) bem superior ao que a Veterana arrecada (em torno de R$ 30 mil, já contando com os R$ 15 mil repassados mensalmente pela Feac - Fundação de Esportes, Artes e Cultura). A “febre” em torno do basquete ressurgiu, é bem verdade, depois do retorno do técnico Hélio Rubens para a cidade, em julho do ano passado. Volta esta “avalizada” pelo prefeito Sidnei Rocha, seu amigo pessoal e aliado político de outras eleições (em 1982, Sidnei se elegeu prefeito na mesma chapa em que Hélio foi escolhido vereador). O “Efeito Hélio” foi catapultado por um trabalho de austeridade administrativa desempenhado desde meados de 2004 pelo presidente do Franca Basquete, Júlio Tadeu Biondi, que deu credibilidade perante o empresariado. Se Hélio Rubens teve o apoio irrestrito do aliado Sidnei Rocha, o mesmo não pode ser dito pelo presidente da Francana, José Lancha Filho, histórico adversário de Sidnei. O repasse de dinheiro da Feac para o clube chegou no último mês de participação do time na Série A-3. E o uso do Lanchão, feito pela Francana sem restrições até a gestão de Gilmar Dominici, foi limitado a apenas três vezes por semana por um funcionário subalterno da Divisão de Esportes da Prefeitura de Franca, um conselheiro destituído e que estaria se vingando de Lancha. Claro, tudo com vistas grossas do prefeito. E, por fim, dentro de quadra o basquete francano tem Hélio Rubens, um técnico carismático, “linha-dura”, com estabilidade no emprego (alguém ousa demiti-lo?) e um currículo invejável: foi inúmeras vezes campeão como jogador e treinador da equipe local. Já a Francana troca constantemente de treinadores (na Série A-3 de 2006, foram três) e sua estrutura é falha. Com isso, sãso previsíveis os resultados de um e de outro.

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