Júlio Pelizaro, 87 anos vividos na bela casa rosa construída no meio da Chave da Taquara. Aliás, seu Júlio tem uma visão privilegiada. Da casa dele dá para ver todo o vilarejo. É a única que fica de um lado da rua, as demais foram construídas do outro. A família Pelizaro chegou ao vilarejo em 1912. De lá ele nunca saiu e não pretende sair. Lá nasceu, casou e teve filhos. “Quando meu pai comprou o sítio aqui, já tinha gente que trabalhava na colheita do café”.
Júlio Pelizaro também se recorda do tempo em que o vilarejo era movimentado. “O trem de ferro passava na porta da minha casa e os funcionários vinham aqui tomar café. Existia uma amizade entre a gente. Mas quando o trem parou de rodar, o movimento acabou. E até a estrada pra Franca, que passava aqui dentro, mudou de lugar”, disse.
A poucos metros da casa de Pelizaro, reside o casal Antônio Joaquim da Silva, 75, e Antônia Flor da Silva, 79. Há exatos 40 anos, os dois e os cinco filhos trocaram Minas Gerais pela Chave da Taquara. “Eu tinha o sonho de conhecer São Paulo. Vim e nunca mais voltei”. O casal reside na casa número 1, praticamente a porta de entrada do vilarejo. Não saem do local nem para fazer compras, que são feitas pelos filhos. Depois de visitar os Silva, bastam alguns passos para chegar à residência de Luís Pereira dos Santos, 78. Ele já perdeu as contas de quantos anos reside na Chave da Taquara. “Acho que já tem mais de 35 anos”. Lá criou os nove filhos, os quais se mudaram todos para Franca. A mulher morreu há anos. Quando a solidão bate, é só chegar na cerca para bater papo com sua vizinha Maria Aparecida da Silva, 75. Maria Aparecida é a alegria em pessoa. Diz que gosta muito de receber visitas e conversar. “O meu ‘velho’ já não conversa tanto. Ele prefere ficar mais calado. Por isso fico feliz quando chega gente aqui na minha casa”, foi logo dizendo enquanto oferecia um cafezinho para as visitas.
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