Um lugar onde o tempo parece passar mais devagar. Onde a pressa não tem nenhum sentido. Bastam alguns segundos para contar todas as casas e a população. A rua principal é a única existente. O estresse dá lugar à tranqüilidade extrema. Basta dar alguns passos, bater na porta e logo vem alguém todo sorridente conversar e ainda faz questão de apresentar a casa e oferecer um cafezinho. O bate-papo pode durar horas. Chave da Taquara é assim. Um pequeno povoado a sete quilômetros de Cristais Paulista que tem muita história para contar.
Apesar de pequeno, o vilarejo tem mais de cem anos. Os únicos sinais de modernidade são energia elétrica e os três aparelhos de telefone existentes em toda a vila. Parece pouco? Que nada. Afinal o local tem apenas nove casas e 27 pessoas. Quando alguém precisa dar um telefonema, é só bater na casa do vizinho. Mas há quem se sinta incomodado. Tanto é que alguns reclamam da falta de um telefone público. No entanto, para a maioria, Chave da Taquara é um paraíso e está perfeita como está. Ao serem questionados se gostariam que a única rua fosse asfaltada todos são unânimes: “Não. Assim está ótimo”.
A água vem de cisternas instaladas em cada uma das nove casas. A atração da “cidade” é a única igreja que recebe o padre de Cristais Paulista uma vez por mês. A missa tem data certa: todo terceiro domingo. Os moradores esperam por esse dia com ansiedade.
A movimentação só é maior no dia 6 de agosto. Por essa data, os 20 moradores esperam o ano todo. É dia da Festa de São Bom Jesus da Lapa. Um único dia. O campo de futebol se transforma em pista de dança e o som rola solto até altas horas. Os moradores se aprontam para a festa e recebem parentes que foram morar fora e vizinhos de outras cidades. Foi por conta da festa, o vilarejo ganhou um espaço para vender os “comes e bebes”. O barracão fica ao lado da antiga escola infantil, que hoje está desativada. As poucas crianças existentes em Chave da Taquara são transportadas para as escolas de Cristais Paulista. É pra lá também que os moradores vão quando necessitam de atendimento médico e também das compras para a casa. O transporte é feito de ônibus que passa na Rodovia Cândido Portinari a poucos metros da vila. Carro, só duas famílias têm. E alguém se incomoda com isso? Claro que não.
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