Enfim, liberdade


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Luciano da Silva foi acusado e preso injustamente por estupro. Advogada conseguiu provar sua inocência
Luciano da Silva foi acusado e preso injustamente por estupro. Advogada conseguiu provar sua inocência
Luciano e André não se conhecem. Ambos são de Franca, protagonizaram uma história marcada por semelhanças absurdas e acabaram presos, pagando por um crime que, provou-se depois, não cometeram. Os dois jovens são pobres e de origem humilde. Ambos trabalhavam, tinham endereço fixo e nenhuma passagem pela polícia. Os dois foram detidos fora da cidade, julgados e condenados por estupro com base pura e simplesmente na palavra da vítima. Não havia qualquer outro tipo de indício contra eles. Em ambos os casos, os bons antecedentes, os álibis e o relato de testemunhas não foram suficientes para livrá-los da cadeia e da humilhação. Ambos passaram quase dois anos na cadeia e foram, agora, inocentados pela Justiça. Um por falta de provas e, o outro, porque o verdadeiro culpado foi preso. Os advogados dos dois não entendem e não se conformam com a injustiça feita aos dois. “O processo contra meu cliente é cheio de falhas. Foi condenado só por causa do reconhecimento. Não encontraram nenhum material, nem sinais de violência na vítima”, disse a advogada de Luciano da Silva, Raquel Andrucioli. Entre outras coisas, a advogada reuniu 35 pessoas que garantiram ter visto Luciano em uma quermesse em Franca no dia e horários do estupro ocorrido em São Joaquim da Barra, mas o testemunho não foi levado em conta. Na opinião da advogada, o fato de Luciano ser negro e pobre contribuiu para sua condenação. “A princípio, achava que não, mas me decepcionei muito. Pela primeira vez em minha carreira, percebi a nítida discriminação. Na delegacia os policiais chegaram a dizer: a senhora é loira e está defendendo um negrão. Em juízo, nada do que falávamos era levado em consideração”. André (nome fictício) também foi acusado de ter praticado violência sexual contra uma adolescente de 15 anos. O processo que colocou-o na prisão, desde o início, é permeado de falhas. A garota, filha de uma família tradicional da cidade de Jardinópolis, disse ter sido atacada por um homem no portão de casa. O agressor a agarrou, tapou sua boca e levou-a para dentro, estuprando-a em seguida. Ela conseguiu escapar e ele fugiu. A queixa à polícia descrevia o agressor com detalhes como “cicatriz no pescoço”. André não tem, assim como não havia testemunhas nem provas, mas mesmo assim, ele foi preso e condenado. Na tese de defesa dos advogados José Eurípedes Jepy Pereira e Luís Henrique Teles da Silva, foi comprovado que André não podia estar em dois lugares ao mesmo tempo - testemunhas o viram em local diferente do crime nos mesmos dias e horários. Não adiantou.

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