Guanabara ou Petrópolis: onde ficarão os presos?


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As obras de construção do CDP (Centro de Detenção Provisória) em Franca permanecem sem data para começar. Depois de muita briga entre Executivo e Legislativo em relação ao local, da aprovação concedida pela Câmara e da liberação da verba de R$ 18 milhões pelo Estado, a dependência de uma alteração na lei ambiental da cidade emperra o início das obras. Vereadores já se preparam para duelar no Plenário. A oposição, que desde o início questionava o local escolhido, ganhou mais força e promete endurecer. Embora o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) não se pronuncie oficialmente sobre o assunto, o projeto para mudança na legislação deve chegar à Câmara nos próximos dias. Em meio ao imbróglio, dois grupos de francanos se dividem entre o medo e a apreensão: de um lado, os moradores do Jardim Guanabara, amedrontados com a superlotação da cadeia existente no bairro, uma verdadeira “bomba-relógio”. Do outro, a agonia da população do City Petrópolis que, em sua maioria, rejeita a instalação do CDP no bairro. No Guanabara, muitas pessoas já pensam até em se mudar, caso o centro de detenção não seja construído em Franca e a Cadeia Pública continue no bairro. O principal temor da população é em relação às freqüentes tentativas de fugas e rebeliões. O sapateiro João Pereira Nunes Filho, 25, teme pela segurança da família. “Tenho filhos e não posso correr risco. A solução, se não vier o CDP, será procurar outro local para morar”. Mesmo quem descarta deixar o bairro reconhece que aumentar a segurança das casas é necessário. O mecânico Paulo Sérgio Tardelli, 31, pretende aumentar a altura do muro de sua propriedade e trocar o portão, de grades, por um mais fechado. “Terei de reforçar a segurança. Mas, em último caso, não terá jeito: colocarei meu imóvel à venda”, disse. Cercas elétricas e cachorros bravos também são largamente utilizados pelos moradores do Guanabara. Na penúltima fuga em massa, em 2005, dois detentos pularam o portão da casa de Tardelli e se esconderam no quintal. No momento, apenas sua irmã estava em casa e viveu momentos de terror. “Se a porta não estivesse trancada, ela teria sido feita refém”, disse o mecânico. Viver com medo é rotina para o mecânico, que mora na Rua Abrão Jorge, nos fundos do presídio. Nos últimos dias, foram três tentativas: no dia 13, 12 presos fugiram da cadeia, cortando a tela interna e pulando o muro. Até agora, seis continuam foragidos. Na quinta-feira, nova tentativa. Os presos chegaram a fazer um carcereiro refém, mas a polícia agiu rápido e anulou a ação. Um dia depois, um preso simulou passar mal para atrair a carceragem. Ao perceber a fraude, os policiais frustraram novamente as intenções dos detentos. CITY PETRÓPOLIS Se, no Jardim Guanabara, a torcida é pela vinda do CDP, no City Petrópolis, a história é outra. A área destinada à unidade prisional fica na Fazenda Pouso Alto, a 500 metros do bairro. A proximidade com o Jardim Paineiras é ainda menor e não passa dos 100 metros. A maioria dos moradores da área não quer uma cadeia perto de suas casas e pontos comerciais. A circulação de detentos e familiares pelas ruas dos bairros preocupa a comerciante Angélica de Souza Reis, que está decidida a se mudar do City Petrópolis, caso o CDP se torne realidade. “Se o CDP for construído vai aumentar a insegurança do bairro. Já estou pensando em me mudar do City Petrópolis”. A desvalorização dos terrenos e casas também preocupa os moradores. Eles temem que futuros compradores para seus imóveis se desinteressem pelo local por saber que lá existe uma cadeia com mais de 700 detentos. O comerciante Primitivo Araújo propõe que os moradores do City Petrópolis e Jardim Paineiras se unam contra a iniciativa. “A população não deve aceitar. Se o CDP vier para cá, vai desvalorizar os imóveis”. POLÍCIAS Os comandos das Polícias Militar e Civil têm dois bons motivos para torcer pela vinda do CDP para Franca. Primeiramente, seria o fim do problema em que se transformou a superlotação da cadeia do Jardim Guanabara, que tem capacidade para 212 presos mas abriga mais de 480. Além disso, as corporações ganhariam um significativo reforço. A administração dos CDPs é responsabilidade da Secretaria de Administração Penitenciária e não de Segurança Pública, à qual as polícias são subordinadas. Assim, com a vigilância da unidade feita por agentes carcerários, mais de 40 policiais civis ficariam livres para trabalhar nos distritos, hoje defasados de pessoal. O mesmo aconteceria com os PMs, em menor número, que fazem a segurança externa do presídio e seriam liberados para o patrulhamento preventivo. Colaborou Marco Felippe

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