‘Vivo do crime. Não sei fazer outra coisa’


| Tempo de leitura: 1 min
A Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) gravou 32 horas de conversas entre traficantes de drogas do dia 16 de março ao dia 05 de abril. Num dos CD’s cedidos à reportagem, ouve-se diálogos entre traficantes. Em uma das conversas, um deles, provavelmente “mula”, como são conhecidos os transportadores das drogas, disse querer voltar a vender drogas em uma das regiões da cidade. Nitidamente, o que se observa é que o “mula” é ameaçado de morte. “Você sabe que pode perder a vida devido às suas ‘moringadas’”. Seu interlocutor responde: “Sobrevivo do crime há 12 anos. Nunca trabalhei na vida, irmão”, vangloriando-se de sua situação. “Se eu sair do crime, tenho 26 anos e não sei o que vou fazer na vida. Eu amo o comando”, completou. Em outro diálogo, um traficante, preso na cadeia do Jardim Guanabara, diz a um de seus comparsas que está preparando sua volta às ruas. “Não vejo a hora. Tô retornando às atividades”. Em outro trecho, dois bandidos falam sobre a apreensão de drogas no Terminal Rodoviário de Franca, quando um jovem foi preso enquanto desembarcava de um ônibus que vinha de Ribeirão Preto. “Caiu chegando aqui. A (Polícia) Rodoviária parou”, disse, enquanto outro questionava a “escalação” do jovem para trazer a mercadoria de Ribeirão Preto para Franca. “Não era a garota que viria pra cá?”, perguntou. “Não, mudei na última hora e veio o moleque. Coitado, tinha feito 18 anos uns dias antes”, respondeu. Em outro momento, um dos bandidos fala que tem que voltar aos becos para pagar uma dívida, provavelmente relativa a drogas. “Tava devendo R$ 8 mil e depois de um ‘baguio’, fiquei devendo R$ 10 mil e vou ter que pagar”, completou o traficante.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários