O Secretário de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto, 51, “coleciona” diferentes registros na vida profissional. Começou a trabalhar aos 14 anos para ajudar no sustento dos pais e dos dois irmãos. Passou por gráficas, livraria, jornal, banco, vendeu verduras e hoje é funcionário público. A diversidade de empregos remete a algumas “aventuras”.
Uma das histórias mais marcantes da carreira dele está relacionada aos quase 20 anos como bancário. Aprovado no concurso do Banco do Brasil, tomou posse em 1975. Naquela época, era revisor de um jornal em Franca e continuou com os dois trabalhos até que, em 1981, prestou um concurso interno do banco e foi convocado para atuar numa agência de Posse, uma pequena cidade localizada na divisa de Goiás com a Bahia, a 1.100 quilômetros de Franca.
O maior impacto foi ao conhecer a cidade. Jerônimo conta que não havia nenhuma infra-estrutura. “Chorei quando cheguei a Posse e vi que não havia energia elétrica, meios de comunicação nem médicos”. Mesmo assim, o salário o fez enfrentar o desafio. “Vi que era muito ruim, mas tinha de decidir. O salário dobrava e eu não poderia perder a chance de fazer carreira. Além do mais, sempre gostei de desafios”. O secretário se mudou para Posse com a mulher, o filho de 2 anos e a mãe, e lá trabalhou na área de empréstimos agrícolas.
Os quatro moraram no outro Estado por cinco anos. Os sábados eram reservados para as compras em Brasília. “Tínhamos de viajar 300 quilômetros para buscar verduras porque em Posse não tinha. O pior de tudo era quando meu filho ficava doente. Minha mulher vinha para Franca em busca de tratamento”. As dificuldades aconteceram há mais de 20 anos, mas ainda são lembradas com detalhes por Jerônimo, que não se arrepende da decisão tomada. “Os anos em Posse foram uma escola para mim, mas como quem sai sempre quer voltar, decidi retornar para Franca, onde nasci”.
Ainda na década de 80, ele voltou para trabalhar no Banco do Brasil de Ibiraci (MG). Desta vez, a família ficou instalada em Franca e ele viajava todos os dias. Saía às 6h30 e retornava para casa apenas às 23 horas, porque voltou a fazer faculdade de Direito. Anos depois, foi aprovado para fiscal de tributos no concurso da prefeitura. É funcionário público desde 1998. No ano passado, foi nomeado Secretário de Administração pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Ele trabalha cerca de 12 horas por dia, presta consultoria em Direito e é professor de Direito Tributário no Senac. Ele ganha R$ 5,5 mil por mês. Se acha um bom salário? “O ser humano é eternamente insatisfeito, mas está bom. Acho que lutei e conquistei o que merecia”.
Jerônimo já está com 30 anos de contribuição previdenciária e planeja se aposentar formalmente em dois anos, mas continuará trabalhando. “Quero trabalhar a vida toda. Me estruturei para viver bem, mas quero advogar mais”.
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