O aluno TJB, 14, mostrado na edição do Comércio da Franca do dia 19, como exemplo das dezenas de estudantes que terminam o ensino fundamental sem saber ler nem escrever, será acompanhado de perto por uma psicopedagoga, contratada ontem pela Diretoria de Ensino.
A iniciativa isolada não resolve o problema. Segundo cálculos da própria Diretoria, perto de 500 crianças e jovens matriculados na rede pública não são alfabetizados.
Ontem, ao falar à reportagem, a dirigente regional de ensino de Franca, Ivani Marchesi, disse que a situação de TJB já era acompanhada pela diretoria, com aulas de reforço e recuperação. Esta informação não foi confirmada por nenhuma das pessoas entrevistadas pelo jornal antes ou depois das duas reportagens veiculadas que trataram do tema.
Após a repercussão do caso, a dirigente contratou a psicopedagoga Rute Jacinto, apresentada ontem ao garoto. Será a profissional a responsável por tentar descobrir os motivos que levam TJB a não aceitar a escola como um ambiente de convivência e aprendizagem e a ver em professores e colegas figuras com os quais não se identifica, coisa que os educadores da escola de Itirapuã, onde o menino iniciou os estudos, e da “Júlio César D’Elia” não conseguiram.
Por trás da ação da dirigente Ivani Marchesi há um caráter pontual que não extingue o problema como um todo. Enquanto a situação é resolvida para um único aluno, a clínica de psicologia da Unifran (Universidade de Franca) trata de 40 estudantes, de 7 a 14 anos, e mantém uma fila de espera cujo número de inscritos não foi revelado.
Apesar no trabalho realizado na universidade, a dirigente Ivani Marchesi disse não saber se os métodos aplicados ali por psicólogos e pedagogos apresentam o resultado que se espera. “O nosso aluno está sendo tratado, mas não sei se está havendo alguma melhora”, afirmou ela, em relação a TJB. “Se estivesse dando certo, não precisaria contratar outra profissional”, alfinetou.
Sobre o número de crianças que têm deficiência de aprendizagem, a dirigente não apresentou planos específicos de acompanhamento nem mostrou o que a Diretoria de Ensino pretende fazer para corrigir essa distorção. “Todos nós, e a sociedade em geral, estamos preocupados com a questão da educação”, disse ela.
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