Tomé: é preciso crer


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O tempo litúrgico da Páscoa é rico em lições para o homem que vive no mundo moderno. Corremos o risco de a “insensibilidade” dominar nossa vida diária. O mundo está moderno, e, com as facilidades que possuímos, corremos o risco de não valorizar as coisas simples e corriqueiras. Ninguém pode ser contrário ao progresso, mas, se nele embarcarmos sem ter consciência clara para onde poderá nos levar, seremos massificados. Li, neste jornal, na última terça-feira uma frase interessante: “Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade” (Pearl S. Buck). Isso pode acontecer comigo, com você, com todos, como aconteceu com Tomé. É necessário lembrar que o amor dá asa aos pés e à mente. A fé não é o resultado de uma constatação ou de um raciocínio. O amor é o princípio da fé. Tomé se fez incrédulo e assim perdeu o tempo precioso que lhe foi entregue tendo como conseqüência a demora em desfrutar a alegria da Ressurreição do Mestre e Senhor. Tudo que é Deus para nós, o coração bondoso do Pai eterno nos dá totalmente, sem meias medidas. Se o temos pouco, é porque nos fechamos muito, pois cada um tem, não quanto recebe, mas quanto acolhe. A atitude de Tomé revela as dificuldades que todos os discípulos encontraram para conseguir acreditar na ressurreição de Jesus. Também para eles o caminho da fé foi longo e difícil, embora Jesus lhes tivesse dado muitos sinais para mostrar que estava vivo e que havia entrado na glória do Pai. A realidade dos apóstolos é muito semelhante à nossa: nós afirmamos: “Bem-aventurados os que viram”; para Jesus, ao invés, “bem-aventurados são aqueles que não viram”. Felizes são aqueles que têm uma fé genuína, pura. Aquele que vê tem a certeza da evidência, possui a prova irrefutável de um fato, não, porém, a fé. Quem sabe aguardamos uma nova aparição de Jesus antes dos fins dos tempos. Isso não acontecerá. A grande prova de tudo que necessitamos sobre Jesus se encontra na sua Palavra. Aqui está o segredo para fazer a experiência de estar com Cristo Ressuscitado. Tomé não viu Jesus porque não estava com os outros apóstolos. E nós? Quem, no dia do Senhor, permanece em casa, mesmo que fosse para rezar sozinho, pode certamente fazer a experiência de Deus, mas não a do Ressuscitado, porque este se faz presente onde a comunidade está reunida. Com a comunidade celebrante é possível escutar a Palavra, receber a paz e o perdão, experimentar a alegria e o Espírito Santo. É importante saber que Deus nos trata como amigos e o fundamento da salvação está no “Amor”. O amor carrega consigo o perdão. O perdão é como um “milagre”! Quem perdoa alguém ressuscita um vivo, pois reconhece o outro como irmão. Tomé teve sua chance de “ver o Senhor” e professar a fé no Ressuscitado. Deus sabe de nossas fraquezas e temores, portanto, não se satisfaz quando longe estamos do seu coração. Como fez com Tomé, faz conosco. A profissão de fé de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”, deve ser repetida com freqüência e em várias ocasiões por nós ao longo da vida. PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.

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