A dirigente regional de Ensino, Ivani Marchesi, se negou, ontem, a receber a reportagem do Comércio da Franca para falar sobre o problema dos alunos que apresentam deficiência de aprendizado e, mesmo assim, são matriculados seqüencialmente nas séries do ensino fundamental. Procurada às 11 horas, disse que não se manifestaria porque não havia lido a reportagem. No entanto, pouco tempo antes, às 8h30, ela convocara às pressas uma reunião com diretores e professores para tratar do assunto na Diretoria de Ensino.
Ivani disse ainda que só responderia as perguntas enviadas por fax. O Comércio, assim como a maioria dos jornais, evita esse expediente, pois ele limita a qualidade da entrevista, uma vez que não permite que contrapontos importantes sejam discutidos.
Além disso, na resposta enviada não é possível saber se a própria dirigente foi a autora, já que não há assinatura em seu nome. Mesmo assim, como era a única maneira de obter um posicionamento da Diretoria de Ensino, foram enviadas 12 perguntas por fax. Leia as principais perguntas e respostas:
Comércio da Franca - Qual a estrutura mantida pela Diretoria de Ensino de Franca para atender aos casos de alunos que chegam ao final dos ciclos do ensino fundamental sem alfabetização?
Ivani Marchesi - Para corrigir estes casos, existem classes de recuperação de ciclo e de correção de fluxo, lecionadas por professores que lecionam conteúdos e metodologias próprias, capacitados para esta função. Em nosso universo de 57 mil alunos, temos 0,85% ainda não totalmente alfabetizados.
Comércio - Há determinação expressa para que alunos mesmo sem alfabetização sejam aprovados?
Marchesi - Em nosso meio educacional existem preceitos que não podem ser descumpridos sob pena de comprometimento de todo o processo. A determinação é que todo aluno deva ser recuperado.
Comércio - Professores entrevistados pelo jornal afirmam que são orientados a maquiar a nota real obtida pelo aluno, como forma de justificar sua aprovação. Como isso acontece?
Marchesi - Não orientamos assim; nossos professores não são falsários. Somos educadores.
Comércio - Há determinação para que professores, se preciso, façam a prova pelos alunos que não apresentam essa condição?
Marchesi - Nenhum professor se prestaria a tal atitude. A corrupção não atinge o meio docente e gestor.
Comércio - A senhora acredita que a progressão continuada é a melhor política educacional já adotada no Estado de São Paulo?
Marchesi - Este Estado sempre se preocupou muito com a educação. Sabe-se que cada segmento social é diferente um do outro e precisa de alternativas de ensino diversas.
Comércio - O Estado paga a professores bônus proporcional ao número de alunos aprovados?
Marchesi - A aprovação não consta dos critérios para auferição de bônus.
Comércio - As escolas recebem verbas da Secretaria de Educação também relativas ao número de alunos aprovados?
Marchesi - Não existe isso na rede.
Comércio - A senhora está satisfeita com a política governamental voltada para a educação pública que, neste momento, representa em Franca e região?
Marchesi - Somos bem lúcidos em reconhecer que qualquer pessoa vive e lhe foi permitido viver perseguindo e incentivando o acontecimento da perfeição.
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