Analfabetismo atinge até universitários, diz professora


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A psicóloga Irene Rodrigues de Andrade, 48, é coordenadora de uma equipe que, diariamente, atende estudantes com problemas de aprendizado no Departamento de Psicopedagogia da Unifran (Universidade de Franca). Nem todos são crianças ou adolescentes. Ela faz uma revelação estarrecedora. Entre os pacientes, há vários universitários que, em alguns casos, precisam ser realfabetizados. Ou seja, jovens que passaram anos na escola e chegam à faculdade sem saber ler ou escrever direito. Atualmente, a universidade é o destino de 40 alunos com idades entre 7 e 14 anos, e problemas de leitura, escrita, atenção e comportamento. Pela experiência, afirma com convicção que se a família não estiver presente às sessões, o problema não se resolverá. Traço comum entre todos é a aversão à escola, ambiente em que, segundo Irene, eles não se encaixam, a exemplo de TJB, mostrado ontem. Os alunos chegam com as mais diferentes carências, mas quase todos apresentam dificuldades de relacionamento com familiares, amigos e professores. Não raro, quando a escola encaminha uma criança para tratamento, espera, de acordo com a professora da Unifran, resultados imediatos. Mas, antes das questões pedagógicas, vêm as financeiras, motivo pelo qual muitas famílias abandonam as sessões de tratamento quando os primeiros resultados começam a aparecer. “Sabemos que muitas dessas crianças estão na escola apenas pela comida que se oferece”, avalia a professora. “É triste constatar, mas muitos pais não conseguem pagar a condução que traz seus filhos à clínica”

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