500 alunos não sabem ler


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O jovem TJB tem 14 anos, está na sétima série, mas não sabe ler nem escrever: segundo a Diretoria de Ensino cerca de 500 estudantes da rede pública de Franca estão na mesma situação
O jovem TJB tem 14 anos, está na sétima série, mas não sabe ler nem escrever: segundo a Diretoria de Ensino cerca de 500 estudantes da rede pública de Franca estão na mesma situação
O aluno TJB, 14, estudante da Escola Estadual “Júlio César D’ Elia”, em Franca, que cursa a 7ª série do ensino fundamental, mas não sabe ler nem escrever, cuja história foi mostrada ontem pelo Comércio da Franca, é apenas um dos 500 alunos matriculados na rede pública de ensino e considerados analfabetos, alguns mesmo depois de oito anos de estudo. O número foi informado pela dirigente de ensino de Franca, Ivani Marchesi, ontem, em fax, no qual respondeu parcialmente às questões formuladas pelo jornal. A história de TJB abriu uma fenda que colocou professores, especialistas em ensino e dirigentes sindicais em oposição à Secretaria de Educação do Estado, representada na cidade pela Diretoria de Ensino. Até aí, não há uma letra de novidade. Mas, enquanto os representantes da educação oficial, personificados pela dirigente Ivani Marchesi ou pela técnica da secretaria paulista, Sônia Jorge, tentam pintar o problema de alunos analfabetos com cores que não existem, a realidade salta aos olhos. Uma professora que não quis se identificar disse que os métodos adotados pela Secretaria de Educação de São Paulo vão além da aprovação automática de alunos, sem revisão do aprendizado. Segundo a educadora, com 20 anos de magistério, a orientação dada pela diretoria de ensino aos diretores e coordenadores das escolas é que as crianças devem ser aprovadas a qualquer custo. “Se for necessário, o professor deverá modificar a nota; se for absolutamente necessário, a prova será feita por outra pessoa”, afirmou ela. A profissional ainda revelou que o desempenho escolar dos alunos refletiria diretamente no bolso do professor ou no caixa da escola. A reprovação de alunos sob a responsabilidade de um determinado professor incidiria na diminuição do bônus a que ele tem direito, pago pelo governo todos os anos. Se, de outro lado, a escola reprova mais alunos, suas verbas para aquisição de equipamentos e suprimentos, repassadas pela Secretaria de Educação, também seriam reduzidas. A informação, confirmada pelo presidente da Apeoesp (Associação dos Professores do Estado de São Paulo), Luiz Gonzaga José, foi negada por Ivani Marchesi. “O que estamos assistindo é um crime contra nossas crianças e nossos jovens”, ponderou a professora. “Estamos formando semi-marginais nas nossas classes superlotadas, porque eles não conseguem aprender. E se não aprendem, desviam a atenção do que não dominam”, afirmou ela, que tem sob sua supervisão uma aluna de 5ª série que só consegue desenhar “minhoquinhas” no caderno. “É uma bela menina sem futuro”. Mãe de dois filhos, ambos matriculados em escolas particulares de Franca, a professora entrevistada pelo Comércio desabafou, afirmando que não confia no sistema em que trabalha. “É cruel ter que dizer isso, mas a escola em que eu trabalho não conseguiria formar meu filho. E se eu não quero para o meu, também não quero para o dos outros”.

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