Os funcionários do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) de Franca tomavam café na sede do posto por volta de 8 horas de ontem quando foram surpreendidos por servidores municipais da Secretaria de Obras e Meio Ambiente da Prefeitura de Franca. A equipe chegou ao local e, sem maiores explicações, começou a retirar portas e divisórias do almoxarifado. Uma pia instalada na cozinha também foi desmontada. Móveis e equipamentos foram retirados da sala e colocados no corredor. Assustado, o diretor do PAT, Nivaldo Batista de Araújo, tentou entrar em contato com a Sert (Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho) para entender o que estava acontecendo. De São Paulo, não veio nenhuma explicação. Apenas a autorização para que Nivaldo procure um imóvel para mudar o posto de endereço. “Amanhã mesmo (hoje) começaremos a procura”, disse.
Segundo Nivaldo, a Secretaria de Obras disse que os móveis, pertencentes ao governo do Estado, teriam que ser retirados do local, sede do posto, há seis anos. O prédio é da Santa Casa e alugado pela Prefeitura de Franca para abrigar o PAT, o Banco do Povo e o Pró-lar, programa que concede financiamentos para reforma e ampliação de habitações populares.
O secretário de Governo, Odair Tristão, se recusou a atender a reportagem para tratar o assunto. Tristão se limitou a responder a perguntas por e-mail. Disse que não houve ordem de desocupação do local, mas apenas “obras de adaptação para melhorar o atendimento do Banco do Povo de Franca”. Segundo ele, a realização das obras havia sido comunicada à direção do PAT há mais de 60 dias. Tristão não disse como teria feito o aviso. Nivaldo, o único encarregado pelo PAT, nega qualquer tipo de comunicação. Nos últimos dias, nenhum telefonema foi dado pela prefeitura avisando o PAT sobre a “operação desmanche”. Tristão não explica também como a equipe deveria trabalhar e atender a população durante as obras, cuja duração não foi detalhada.
Uma parceria entre o município, o Estado e a União garantiria o uso do imóvel pelo PAT. O coordenador de operações de todos os PATs do Estado, Elias Fernandes de Carvalho, disse ontem ao Comércio que não houve nenhum contato entre o governo e a prefeitura para alterar a estrutura do posto de Franca. Elias disse que existe a possibilidade de municípios com mais de 300 mil habitantes assumirem o controle de seu próprio PAT, mas essa modificação teria que ser previamente acertada entre o Estado, o município e a União. “Pelo menos a mim, nada foi informado”.
Elias se comprometeu a entrar em contato com a Prefeitura de Franca na manhã de hoje para verificar o que está ocorrendo. Não se sabe se o PAT terá condições de atender ao público hoje.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.