A greve programada para ontem pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Franca para o setor da Saúde fracassou. Os sindicalistas cumpriram o prometido e marcaram presença nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do Leporace e Aeroporto III, mas não adiantou. Os funcionários decidiram não parar. Nas duas unidades, a movimentação começou cedo. Desde as 6 horas, representantes do sindicato, da prefeitura, Guarda Civil e Polícia Militar estavam a postos, além, é claro, dos pacientes, alguns na fila desde a madrugada e já preocupados com a possibilidade de não serem atendidos.
Após as 6h30, quando os servidores começaram a chegar, ficou claro que a greve não vingaria. No Aeroporto, os funcionários se agruparam perto do portão de entrada e foram abordados pelos grevistas, que queriam convencê-los a não trabalhar. A gerente da Diretoria de Saúde da Zona Sul, Beatriz Ede Royo, interveio rapidamente. “Não combinamos ontem que todo mundo iria trabalhar? Então, vamos cumprir nossa parte”, disse Royo, que garante que não há represália por parte da prefeitura contra quem decidir parar. “Se alguém quisesse parar não sofreria qualquer perseguição. Só teria os dias descontados, como acontece em qualquer empresa”.
Em seguida, Royo passou a arrancar cartazes de greve afixados do lado de dentro da UBS, o que causou uma certa tensão. Os sindicalistas reclamaram: “Deixe os cartazes aí. A unidade está em greve”, disse um deles. “Aí fora vocês podem colar o que quiserem. Aqui dentro não vou permitir. Até porque o que diz aqui é mentira, pois não tem greve alguma aqui”, respondeu a gerente.
Joel Silva, dirigente do sindicato, reclamou da atitude. “Essa moça é muito truculenta, não precisa disso”. Ele apontou a pressão da prefeitura sobre os servidores como principal motivo pelo fracasso da greve. “Eles (a administração) pressionaram e ameaçaram os funcionários. Por isso eles não pararam”, disse.
No Leporace, o clima foi mais ameno. Luís Antônio Porto, responsável pela Saúde na Zona Norte, disse que permitiu livre acesso ao presidente do sindicato, José Nhozinho Sales Ramos, o “Paraná”, às dependências da UBS. “Eles podem entrar, afinal, também são servidores. Agora, acho difícil convencer alguém, pois todos aqui estão fechados em não parar o atendimento aos pacientes”, disse.
Nas duas unidades, a forte imposição dos populares ajudou a derrubar a greve. No Aeroporto, o aposentado Luís Arruda Oliveira, 75, disse que não aceitaria o adiamento de sua consulta. “Preciso ser atendido e medicado porque não estou bem. Eles que façam greve em escolas ou outros lugares. Aqui não”, disse.
O secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, disse que os 4% de reajuste salarial oferecidos, relativos à inflação do último ano, são o limite da prefeitura. “A oferta não vai aumentar. Não tem como mexer nesse percentual”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.