Garoto tem medo de ir para a escola


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As trajetórias escolar e familiar do estudante TJB podem revelar parte da origem das dificuldades que o aluno tem em estudar, aprender e se comunicar, mas não podem ser vistas como explicação cabal para o problema. Filho menor de uma família de agricultores, o garoto vive em uma casa na zona rural de Franca com o pai, Jerônimo, a mãe, Selma, e dois irmãos mais velhos, em meio à plantação de café da fazenda que os abriga. À exceção da mãe, e dele próprio, todos os outros trabalham na lavoura. Antes de vir para Franca, cursou das 1ª à 4ª série em Itirapuã, também na zona rural. Ontem, em sua casa, falou pouco com a reportagem. Disse que não gosta da escola porque sente falta da mãe ao seu lado. “Se pudesse, não iria”, disse ele, que começa a passar mal ao menor sinal da presença do ônibus que todos os dias, às seis da manhã, passa na Rodovia Rio Negro e Solimões, que liga Franca a Batatais, para levá-lo à escola. Em meio aos seus cadernos, rabiscou algumas palavras enquanto conversava com a reportagem, mas não conseguiu ler nada do que havia escrito poucas horas antes em sala de aula. Reclamou que não consegue acompanhar o que a professoras escrevem na lousa e que outras crianças não o procuram para brincar. Segundo professores, é visto chorando com freqüência. As aulas de educação física são as únicas esperadas com alegria. “É que gosto de jogar bola”. Ontem, toda a família acompanhou o estudante na sua sessão com uma psicóloga na Unifran (Universidade de Franca). A mãe, Selma, disse que não sabe porque o “menino é assim”, embora afirme que ninguém estudou em casa, e fazer os filhos mais velhos irem para a escola era uma tarefa ingrata. A reportagem não conseguiu encontrar a responsável pela coordenação do programa de atendimento a estudantes com dificuldade de aprendizagem da Unifran. O serviço é realizado por estagiários de psicologia sob a supervisão de professores, mas não consegue dar conta da demanda gerada pelas escolas.

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