Vereador pede menos policiais na Estação


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Imagem mostra policiais da Força Tática atendendo solicitação de motoristas que se sentiram coagidos pela presença de guardadores de carro em plena luz do dia
Imagem mostra policiais da Força Tática atendendo solicitação de motoristas que se sentiram coagidos pela presença de guardadores de carro em plena luz do dia
Dois comerciantes pedem. Um vereador requer formalmente. A polícia resolve atender. E o número de blitze policiais em um dos locais mais movimentados da cidade é reduzido. “Parece uma brincadeira”. A frase é do comerciante da região da Estação Manoel Farias Pires, mas resume a surpresa da população diante da inusitada notícia de que o vereador Maurício Chinaglia, baseado na solicitação de duas pessoas, enviou ofício à 5ª Companhia da Polícia Militar de Franca solicitando “a diminuição do trabalho de blitz de policiais” em uma região freqüentada por milhares de francanos todos os dias: o Bairro da Estação. As blitze alvo do ofício seriam fator de “inibição de clientes”. Sozinho, já que o segundo comerciante que solicitou a redução de policiais preferiu não tocar no assunto, Gilberto Ghedini, dono de uma loja de materiais hidráulicos, defendeu a idéia de diminuir a presença da PM no local. “O policiamento é bem vindo, mas comando de trânsito é prejudicial”. Nenhum outro comerciante da região concorda com a solicitação dos vizinhos de afastar os PMs. O taxista Marcelo Cesário diz que a presença dos policiais é bem vinda. “O ideal é que as blitze continuem, pois fornecem a segurança necessária para todos”. Manoel Farias Pires, que, de início, achou tratar-se de uma brincadeira o pedido de seus colegas de calçada, é mais direto: “Eu nunca vi policial atrapalhar comércio. O que atrapalha é comerciante que não sabe trabalhar”. Chinaglia, representando dois, causou insatisfação geral. Para o vereador, o objetivo do ofício foi apenas reduzir o número de policiais que fiscalizam o trânsito especificamente na Rua Frei Germano. “A intenção é diminuir o número de comandos policiais apenas naquela rua e não no bairro todo”, tentou se defender o vereador. Mas, conforme explica o tenente da PM Max Wilson, da 5ª Companhia da Polícia Militar, “as operações realizadas não eram atividades voltadas para fiscalização de trânsito, mas um policiamento ostensivo de prevenção”. Wilson disse que o policiamento feito na Rua Frei Germano se justifica em razão da “localização estratégica” da via. Ainda assim, o tenente, diante da insatisfação de dois comerciantes, representada pelo ofício do vereador Maurício Chinaglia, disse que vai tentar “adequar” o policiamento aos “anseios da população”. “Procuramos trabalhar de acordo com aquilo que a população solicita. Não deixaremos de fazer o policiamento, mas podemos tentar deslocá-lo para outro ponto”. Quem caminha pelo local comprova que há razões para um policiamento constante na região. As cerca de duas horas dedicadas pela reportagem do Comércio a apurar dados para essa matéria foram suficientes para presenciar a ação de policiais militares da força tática que compareceram ao local em razão de solicitação de pessoas que se sentiam coagidas por menores que exigiam gorjetas em troca de uma “olhadinha” nos carros estacionados ao longo da via. Alguns deles foram vistos nas redondezas. ERRO INGÊNUO Erro ingênuo seria a compilação em duas palavras das opiniões dos colegas de Câmara de Maurício Chinaglia sobre a atitude do vereador. Marcelo Valim (PSDB) é o responsável pelo primeiro termo. “Tá errado. O vereador precisa estudar antes cada pedido feito pela população para só depois atender”. Gilson Pelizaro (PT) acha que a atitude de Chinaglia foi uma questão de inexperiência. “O Maurício é uma pessoa bem intencionada. Pode ter sido uma questão de ingenuidade”, disse. O líder do PSB na Câmara, Valter Gomes, preferiu não comentar sem antes conversar com o colega. “Não conheço o teor do ofício e prefiro me pronunciar apenas depois de me informar melhor”.

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