Sem dizer “onde” nem “quem”, o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Franca, José Nhozinho Sales Ramos, limitou-se a anunciar, ontem, na sede da entidade quando será o início da greve dos funcionários públicos: hoje. Em meio a faixas com dizeres apoiando o movimento e cercado de pelo menos 15 coordenadores, Paraná, como é conhecido o sindicalista, confirmou que, sem acordo com a prefeitura, o sindicato optou pela paralisação a partir desta terça-feira por tempo indeterminado. A baixa predisposição dos servidores em aderirem ao movimento indica que a greve ser setorizada.
A sede do Sindicato dos Servidores Municipais se transformou em um verdadeiro QG (Quartel General) ontem. Preocupados com um possível “vazamento de informação”, diretores e coordenadores da greve se reuniram a portas fechadas. Falar sobre o movimento foi proibido pelo presidente. Nem mesmo ele adiantou qualquer ação do grupo. Reunidos em círculo, eles eram orientados pelo próprio presidente sobre como deveriam proceder para tentar convencer os companheiros de trabalho a aderir à paralisação, não entrar no serviço e fortalecer o movimento grevista. Se der certo, esperam eles, a greve deve se expandir e atingir todos os setores.
A decisão ocorreu após inúmeras tentativas frustradas de continuar a negociação salarial com representantes da prefeitura. “A única proposta foi a de reajustar o salário do servidor em 4%. Nós temos direito a mais 11,68% de perda salarial que ele não quis discutir no ano passado, não quer discutir hoje e já jogava para o ano seguinte. Entendemos que assim não dá e vamos partir para a greve”, disse Paraná.
Por inúmeras vezes o sindicato tentou sensibilizar o prefeito Sidnei Rocha. Foi à Câmara Municipal buscar o apoio dos vereadores, anunciou “estado de greve”, protocolou um pedido de audiência com as comissões de negociações da prefeitura e do sindicato no Ministério do Trabalho e, por fim, anunciou a greve há duas semanas. Por causa do feriado de Sexta-Feira Santa, adiou os planos de abrir o movimento no dia 11 de abril.
Para hoje, esperam a adesão dos servidores. Para evitar um movimento contrário vindo de dentro dos corredores da prefeitura, anunciaram um plano “cego”, ou seja, o anúncio à população sobre a paralisação seria feito apenas hoje.
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