A Semana do Surdo (de 17 a 23 de abril), instituída por lei municipal em 2000, foi comemorada ontem na Praça Nossa Senhora da Conceição. A Apada (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Franca), organizadora das apresentações, funciona há um mês, já está com 200 cadastrados e quer divulgar o trabalho. Estima-se que em Franca existam 3 mil portadores de deficiência auditiva. Durante a manhã de ontem, houve discurso dos presentes, dança e mágica na concha acústica.
“Estamos divulgando a entidade para ter mais associados e ganhar força na luta pelo bem-estar e por mais oportunidades aos deficientes”, disse a assistente social da Apada, Renata Fernandes. A entidade quer lutar pela inclusão dos deficientes auditivos no mercado de trabalho e nas escolas. “Precisamos acabar com o preconceito da sociedade. Como a surdez não é uma deficiência visível, a sociedade vê os portadores como preguiçosos”, disse.
Outro desafio a ser vencido é a dificuldade de comunicação dos surdos. Poucas pessoas sabem Libras (Língua Brasileira de Sinais), o que torna a convivência deles muito difícil. A Apada quer oferecer condições de comunicação dentro da família e em outros locais, como escolas, bancos, hospitais, consultórios médicos, etc. Um dos projetos primordiais a serem implantados até o fim do ano é o curso de Libras. Na associação, os familiares e comunidade poderão aprender os símbolos e alfabeto feito com gestos. O aposentado Luis Expedito Ferreto, 56, ficou satisfeito com a notícia. O filho dele, Luis César, 23, tem dificuldades de se comunicar com os pais. “Meu filho é um estrangeiro dentro de casa”, diz (leia mais em texto nesta página). Para resolver os problemas de comunicação, Luis César aprendeu Libras com os colegas de classe.
CUIDADOS
A prevenção dos problemas auditivos começa durante a gravidez, com o exame pré-natal e não uso de determinados medicamentos, principalmente durante os três primeiros meses, considerados de maior risco. A vacina contra rubéola também é importante porque uma das seqüelas da doença é a surdez. “As otites (infecções de ouvido) e meningite comumente causam perda de audição, por isso devem ser bem tratadas”, disse Erika Matias, fonoaudióloga e professora na área de audição do curso de Fonoaudiologia da Unifran (Universidade de Franca).
Os bebês também devem passar pelo exame da orelhinha para detectar se têm problemas para escutar. É simples e indolor, feito com uma sonda no ouvido. Os especialistas ainda orientam os sapateiros a usarem protetor auricular por causa dos ruídos nas fábricas e as pessoas a não tentarem limpar o ouvido inserindo grampo de cabelo, chave, clipe ou tampa de caneta.
Os pais devem observar o comportamento dos filhos e, se notarem que colocam volume muito alto ao ver televisão, não atendem aos chamados ou demoram a falar (formam as primeiras palavras por volta dos 12 meses), precisam levá-los a um especialista para exames.
SERVIÇOS
Os interessados em conhecer a Apada ou se cadastrar devem procurar os profissionais na Rua Padre Conrado, 1.132, na Vila Nova, das 8 às 12 horas.
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