Amanhã, embora poucos o saibam, se comemora o Dia do Exército. Há exatos 358 anos, na batalha de Guararapes, um punhado de nativos precariamente armados logrou expulsar do território pátrio as forças holandesas, que desde 1630 ocupavam extensa porção do Nordeste. Índios, brancos, negros e mestiços se uniam pela primeira vez para um empreendimento genuinamente nacional. Pela primeira vez, também, a palavra Pátria era usada para nomear o Brasil. Empregando táticas de guerrilha, um povo oprimido lograva impor sua vontade ao invasor. Houvesse a História seguido curso distinto, a feição de nosso País certamente seria outra.
Aquela jornada foi plena de simbolismos. A partir dessa epopéia, já não havia apenas filhos de um mesmo solo em torno de um ideal de libertação, mas as bases do Exército Brasileiro e da própria Nação. Componente da formação de nossa identidade, a Força Terrestre participou, ao lado de outros segmentos da sociedade, de todos os momentos decisivos para a preservação da unidade e independência do País: liquidação das revoltas separatistas no período monárquico, Guerra do Paraguai, movimento abolicionista, Revolução de 1930, campanha “o petróleo é nosso”, etc.
Sentimentos muito fortes de dever, honra e disciplina permitiram edificar uma Nação íntegra, da Serra do Caburaí ao Chuí, da Ponta das Seixas às nascentes do Moa.
Por que recordar disso tudo? Porque é já indisfarçável, tanto em setores da imprensa como em universidades, a ação persistente e ostensiva no sentido de desprestigiar e desacreditar o Exército, visando comprometer o respeito e a admiração de que ele desfruta tradicionalmente no conceito do povo. Com esse objetivo todos os pretextos são cinicamente aproveitados, sobretudo quando os militares são chamados a intervir para debelar desordens, o que decorre, aliás, da ineficiência da polícia, sabidamente mais adequada para tais missões. Há inclusive quem conteste a própria existência das instituições militares, como se um país com os atributos econômicos e geopolíticos do Brasil pudesse delas prescindir. Finalmente, há quem insista em sublinhar o papel protagônico do Exército durante a vigência do Regime Militar, esquecendo - ou fingindo esquecer - que o Movimento de 1964 contou com o apoio da Igreja, da imprensa e de vasta parcela da população.
O que não se divulga, ao menos com a mesma intensidade, é o verdadeiro valor do trabalho anônimo do Exército e dos benefícios incalculáveis que ele presta à população em todo o Brasil, sobretudo nas regiões mais atrasadas do País: no socorro às calamidades públicas, na alfabetização e vacinação das comunidades carentes, no adensamento da malha rodoviária e, principalmente, na educação moral e cívica da juventude. Quanto a este último aspecto, surpreende-me que certos colunistas considerem “antiquado” ver nossos jovens aprendendo a cantar o Hino Nacional, abrir a porta para as senhoras, cultuar a Pátria que nos deu berço e defender a ordem constitucional democrática.
Coincidência ou não, essa campanha difamatória intensificou-se nos anos 90, com o advento dos governos liberais. Desde então, as instituições militares têm sofrido sucessivos cortes orçamentários, recebendo meios incompatíveis com a sua missão.
Nesse quadro pouco alentador, marcado pelo revanchismo de alguns e pela incompreensão de outros, amanhã talvez sirva de consolo ao estamento fardado saber que, segundo pesquisa recente do Ibope, 76% dos brasileiros confiam nas Forças Armadas, percentual superado apenas pela Igreja. Os governos vêm e vão, o Exército permanece. E com ele permanecem a Nação, seu povo e seu imenso legado de tradições, das quais não nos despojaremos, legadas que foram por nossos antepassados.
EDUARDO LUCAS DE VASCONCELOS CRUZ é bacharel em Relações Internacionais pela Unesp-Franca, estudante do 4º ano de Direito na Faculdade de Direito de Franca e cabo da Reserva do Exército Brasileiro.
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