Uma garota de 12 anos de idade foi acusada, na última quinta-feira, de ter tentado matar seus pais adotivos. TMS teria colocado veneno de barata na água do filtro da cozinha. Seu pai, o pedreiro DB, 46 anos, morador do Jardim Palmeiras, zona oeste da cidade, foi quem percebeu o fato. Ele evitou entrevistas formais, mas contou em detalhes como tudo aconteceu. “Vi uma cor diferente na água, meio avermelhada, e enfiei a mão no pote. Saiu cheia de veneno”, disse ele, fazendo um gesto com a mão em forma de concha.
Para concluir que havia sido a filha a colocar o veneno ali, não custou muito. Há poucos dias, a garota encontrou o veneno “Fenômeno” (usado para matar baratas) em cima do guarda-roupa e perguntou para o que servia. Foi alertada sobre o perigo de manusear o produto e orientada a lavar as mãos. Como ela vem apresentando problemas de comportamento nos últimos meses, estabelecendo uma relação difícil com os pais, ele teve certeza de que ela tentou matá-lo e a sua mulher colocando o veneno no pote.
Ele contou que ofereceu água à garota e insistiu para que ela tomasse e ela se recusou. Ainda de acordo com ele, TMS, depois de pressionada, confessou que teria colocado o veneno no filtro na noite da última quinta-feira, mas alegou que sua idéia era se matar. O pai não acreditou em sua versão e chamou a polícia, diante de quem ela teria confirmado a ação. Chamou também o Conselho Tutelar, que encaminhou a jovem para uma família de apoio.
Aparentemente, os problemas de relacionamento da jovem com os pais não são muito diferentes daqueles de tantas outras famílias. Segundo o pai, há mais de um ano TMS, que nunca havia apresentado nenhum tipo de problema, mudou seu comportamento. De menina recatada e obediente, se tornou rebelde, respondona e ríspida com os professores. Além disso, não queria estudar. A escola, aparentemente, tentou sinalizar os problemas para os pais por meio de bilhetes. Mas a garota teria pedido para colegas assinarem os recados como se seus pais os tivessem lido e evitou que eles tomassem conhecimento da situação.
Em casa, também, TMS já não era mais a mesma. Não ajudava nos afazeres domésticos, passou a chegar em casa após as 23 horas (dizia estar com amigas) e a não respeitar a autoridade dos pais adotivos. O pai se disse rígido e que a corrigia com freqüência, mas negou que a espancasse ou maltratasse, como aventou um vizinho.
Para o pai, a mudança de comportamento se deu em razão de seu envolvimento com más companhias. Antes disso, TMS freqüentava cultos evangélicos com os pais, que moram ao lado de uma igreja.
Para DB, o problema de sua filha é espiritual e emocional. A garota tem uma história de vida complicada e já foi adotada anteriormente por outra família, depois da morte de seu pai biológico e abandono da mãe (leia mais nessa página).
O pai acredita que a discussão mais dura que teve com a filha na quinta-feira para que ela mudasse de atitude, foi a gota d’água para a tentativa de homicídio. A adolescente estaria muito nervosa também porque soube que, por orientação da escola, teria que se apresentar nos próximos dias no Conselho Tutelar.
DB registrou Boletim de Ocorrência no Plantão Policial, sem a presença da menina. Voltou para casa e permitiu que ela dormisse lá mais aquela noite, mas do lado de fora. Temendo o que ela pudesse fazer contra eles, deu-lhe cobertor e travesseiro e colocou um colchão na varanda dos fundos para que ela se acomodasse. “Não poderíamos dormir sossegados se não fosse assim”, disse DB.
No dia seguinte, a garota foi levada ao Conselho Tutelar, de onde foi encaminhada à referida família de apoio. O pai foi categórico ao dizer que, diante do ocorrido, não a quer mais em casa. Disse ainda que teme uma vingança da menina, mas não pretende mudar de casa. “Temo pela minha mulher, mas não sairei daqui. Espero que ela seja feliz, mas longe daqui”, disse. E completou: “O que ela fez foi grave. Não dá para gostar de alguém assim”.
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