No varejo, apesar do paradeiro nos três primeiros meses de 2006, a Samello não diminuiu os preços de seus calçados. Para o presidente da empresa, Miguel Sábio de Mello Neto, a solução não está em derrubar o valor dos produtos, mas em aprimorar a qualidade e justificar o preço de mercado. “A Samello tem um alto valor agregado à marca e não vai entrar em leilões. Buscaremos, sim, melhorar cada vez mais nossos sapatos e ampliar o espaço no mercado”.
Um dos motivos para que a Samello não abaixe seus preços, segundo o empresário, é a “briga” com pequenos e médios fabricantes, que utilizam todas as formas para vender mais. “Existe muita concorrência desleal, de empresas muitas vezes ilegais. Pela qualidade do calçado que vendemos, não tem como reduzir os preços”. Ele cita, ainda, os preços da matéria-prima e da mão-de-obra, que, com ou sem crise, são reajustados periodicamente.
O público-alvo da Samello são os consumidores das classes A e B. Portanto, para Mello Neto, é preciso cobrar um preço justo pelos produtos da empresa, mas o fundamental, mesmo, é não perder qualidade. “Nossos clientes estão acostumados a um produto de alto padrão. Não vamos mudar isso agora”.
O empresário nega ainda que o fechamento da loja Samello no Shopping tenha ligação com crise ou queda acintosa no volume de vendas. Segundo ele, a entrega do ponto faz parte de uma mudança estratégica da diretoria. “Decidimos investir mais na loja em frente à fábrica. Vamos reformar o local para atender melhor aos nossos clientes”, disse para, em seguida, reconhecer que uma economia no caixa da empresa é sempre bem-vinda: “Neste outro ponto não teremos de pagar valores altíssimos de aluguel e condomínio. E continuaremos a servir da mesma maneira”.
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