Aos empresários que vêem no mercado interno a salvação, fica um alerta: a temida crise no início de ano não atinge apenas cidades operárias, como Franca. Outras localidades, onde setores como agricultura, pecuária e serviços são o esteio da economia, também têm seus períodos difíceis. Os motivos são os mais variados, desde o turismo até o “golpe do avestruz”.
Dentro dessa realidade, encontram-se situações inusitadas. Bom exemplo disto é Araguaína, cidade de 157 mil habitantes no interior do Tocantins. Lá, Lucimar de Almeida, franqueada da Carmen Steffens, assegura que não tem dificuldades nas vendas, graças à boa aceitação da marca na cidade. Mas, de acordo com ela, lojistas daquela localidade chegaram até a baixar as portas por conta do “golpe do avestruz”.
Lucimar conta que uma empresa paulistana se instalou em Araguaína para criar avestruzes. O negócio foi “vendido” como de baixo investimento e alta lucratividade e centenas de pessoas na cidade investiram no segmento e compraram cotas de participação nos lucros da companhia. Mas, certo dia, os escritórios da empresa não abriram. E depois não abriram mais. Os “empresários” foram embora e deixaram o prejuízo à população para trás. “Foi uma situação complicada, muita gente perdeu dinheiro. Algumas pessoas chegaram a tomar prejuízos de até R$ 50 mil. A economia local, que já sentia a queda nos preços da arroba do boi e na tonelada da soja, parou de vez. Sorte que a Carmen Steffens é uma marca forte e eu me mantive”.
Mesmo em metrópoles como Porto Alegre a crise se faz presente no início do ano. Lá, o problema foram as férias. O lucro de Andresa Perinazzo, também franqueada da Carmen Steffens, caiu em janeiro pela migração dos porto-alegrenses para o litoral. “É incrível, mas em janeiro e fevereiro parece que a cidade fica vazia. Felizmente, em março, o movimento voltou ao normal”.
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