As fábricas de calçados fecham poucos pedidos. Os trabalhadores estão desempregados. O mercado, frio. Sob esse cenário, dizer que o primeiro trimestre de 2006 foi fraco é uma obviedade, mas ela termina aí. A tendência natural para compensar a queda no movimento no início do ano seriam as promoções e liquidações, mas isso não aconteceu. Os valores dos calçados nas vitrines continuam os mesmos. Em alguns casos, ainda sofreram reajustes.
Cada segmento apresenta uma justificativa para manter ou elevar os preços: nas lojas que vendem calçados top de linha, cujos principais consumidores são as classes A e B, a justificativa é o alto valor agregado à marca. Quem revende calçados populares alega que a margem de lucro é pequena e é impossível o preço cair mais.
Uma das poucas lojas visitadas que tiveram decréscimo nos preços foi o varejo da Democrata. Lá, modelos em couro, com amortecedores, que chegam a custar R$ 200, estão saindo entre R$ 90 e R$ 120. “Estamos vendendo ponta de estoque com bons descontos e isso ajuda a manter o movimento. A força da marca também ajuda”, disse a vendedora Amanda Rodrigues, 27, que aponta nas classe A e B o principal público-alvo da Democrata.
A Carmen Steffens manteve o valor de seus produtos. Com franquias espalhadas em todos os Estados brasileiros e em outros cinco países (Portugal, Arábia Saudita, Paraguai, México e Estados Unidos), suas principais clientes são mulheres de classe média-alta. Por isso, a empresária Monalisa Spaniol confia na força da marca e na qualidade para manter o valor de mercado. “Mantivemos tudo normal, tanto preços como linha de produção. Esta queda no varejo não é geral, é mais acentuada em Franca. Mas, felizmente, não a sentimos até o momento”.
POPULARES
O setor de calçados populares trabalha com a classe média-baixa. O par do calçado masculino, em material sintético e solados de PVC, custa a partir de R$ 16,90. Se for em couro, R$ 29,90. A rasteirinha feminina é encontrada por R$ 4,99. Mesmo assim, o começo de ano apresentou queda.
A saída encontrada por Tiago da Silva, 24, gerente da Malucão Calçados, foi distribuir brindes aos clientes e colocar palhaços na porta da loja para chamar a atenção. “Nossa margem é pequena, não dá para abaixar o preço. Buscamos atender bem e ganhar na quantidade, pois ninguém sai daqui com apenas um par de calçados”.
Silva disse ainda que está ganhando mercado em “terreno inimigo” e que a presença do público mais abastado em sua loja tem se tornado comum. “Tem muita gente com condições de pagar mais que compra aqui. Ao invés de comprar um par de sapatos caro, leva três daqui e sai satisfeito”. Os principais fornecedores destas lojas são pequenos fabricantes de Franca, Birigüi e Nova Serrana.
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