Duas manchetes do “Estadão”, do dia 12 último, tiveram o sentido de uma forte chuva de dezenas de estrelas. Na página 4, a manchete maior: “MP (Procuradoria Federal) denuncia 40 por mensalão e diz que Dirceu chefiava quadrilha”. E publica trechos dessa denúncia enviada ao STF, com a foto dos três núcleos da quadrilha: um núcleo político-partidário, de quatro membros; um núcleo publicitário, de seis; e um núcleo financeiro, de quatro membros. A manchete da página 5 completa a denúncia de uma “organização criminosa que comprava apoio”, diz a acusação. Os dirigentes dos “núcleos” compravam por altas somas o apoio de deputados do PTB, PL, PP, PMDB, num ato criminoso que acabou recebendo o epíteto de “mensalão”.
Essa denúncia, pela sua gravidade, envolve a cúpula do PT e do governo, mais de 40 parlamentares, além de publicitários e dirigentes de bancos. Ela foi originada pelo resultado da Comissão de Inquérito da Câmara Federal, relatada pelo parlamentar Osmar Serraglio, cujo trabalho, ao lado dos demais membros das CPIs, defendeu corajosamente o Parlamento diante da quadrilha de violadores da Constituição.
Os jornalistas brasileiros, temendo que os infratores pudessem ser absolvidos pelo falso corporativismo, em virtude de amizades antigas, interesses secretos ou alguma forma de “forças ocultas”, adotaram a designação de “pizza” para os colegas faltos de caráter e de sentido cívico, como se estivessem numa pizzaria saboreando a agradável comezaina. E, assim, juízes dos velhacos, acabaram os colegas solidários assemelhando-se a eles, manchando para sempre seu nome na História do Brasil.
A Justiça vai agora estudar e resolver as denúncias candentes do procurador-geral da República: Dirceu, Genoíno, Sílvio Pereira, mais 40 confrades dos infratores, réus confessos, que antes cintilavam como astros em céu de verão, serão pobres estrelas cadentes mergulhadas no mar da indiferença.
ALFREDO PALERMO é professor, advogado, historiador, jornalista e escritor membro da Academia Ribeirão-Pretana de Letras e da Academia Francana de Letras. Colabora com o jornal Comércio da Franca há mais de 60 anos.
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