O almoço para o marido e os dois filhos será hoje a única atividade que a costureira Consuelo Barcelos Garcia e Silva, 59, moradora do Jardim Portinari, fará em casa. Católica fervorosa, ela dedicará grande parte da Sexta-Feira Santa à oração.
O ato é repetido há 20 anos e faz parte de uma tradição familiar. “A minha avó passou para a minha mãe, que me ensinou.
Quando eu morava na fazenda não fazia sempre, mas depois que mudei para a cidade, há muitos anos, nunca mais abandonei”. Desde então, em todas as Sextas-Feiras da Paixão, Consuelo não faz os serviços domésticos, como varrer a casa, se mantém longe da televisão e do rádio e tenta ficar em jejum. “Nos últimos anos ficava sem comer, mas agora não consigo porque estou doente”, disse. Como uma forma de compensação por não poder ficar em jejum completo, Consuelo se aplicou outra abstinência durante o período da Quaresma (40 dias) de 2006: não assistir TV. A costureira aproveitou o tempo ocioso para ler jornais e revistas, além de dezenas de livros católicos. “Sei que muita coisa não é pecado, mas faço por respeito. É um dia muito forte, considero como se uma pessoa da minha família houvesse morrido”, disse.
Consuelo freqüenta a Paróquia São Vicente, no Leporace, e tem consciência de que sua postura com relação à Sexta-Feira Santa é cada vez mais rara. “São poucos que respeitam e seguem esses costumes; há inclusive pessoas que consomem carne vermelha nesse dia”.
Segundo frei Mauro Luiz de Oliveira, da Paróquia São Judas Tadeu, na Vila Nova, o dia não é de abstinência apenas de carne e sim de jejum. Para ele, o costume de comer peixe neste dia faz parte da tradição popular. “Não é uma imposição da Igreja Católica”, disse.
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