Família Stalin pede socorro. De novo


| Tempo de leitura: 2 min
Deitada, Natalina Vieira Stalin rodeada pelas crianças: “Quero dar leitinho para meus netos, nem que eu tenha de pedir ajuda para conseguir”, diz a avó
Deitada, Natalina Vieira Stalin rodeada pelas crianças: “Quero dar leitinho para meus netos, nem que eu tenha de pedir ajuda para conseguir”, diz a avó
“A comida está acabando e eu resolvi pedir socorro. Quero dar leitinho para meus netos quando quiserem, mesmo que eu tenha de pedir ajuda para conseguir isso”. A frase da avó Natalina Vieira Stalin, 49, tutora legal de seis crianças com idades entre 1 e 10 anos, resume as dificuldades enfrentadas pela família do Jardim Aeroporto III. No ano passado, a mãe abandonou os filhos em casa e desde setembro eles passaram a morar com os avós paternos, o pai e o tio de 15 anos. Notícias da mãe? Não têm há sete meses. Natalina quer continuar criando os netos, mas depende de doações para conseguir alimentá-los. “Aqui em casa está faltando fralda, leite, comida....”. Ontem, o único armário da cozinha tinha apenas um pacote de sal, um pacote de farinha, um litro de leite, meio pacote de fubá, macarrão, um pouco de arroz, um pouco de açúcar, uma barra de sabão e palha de aço. Só de leite, as seis crianças consomem quatro litros por dia, principalmente quando não há outras opções. Na casa, apenas uma pessoa está registrada. O pai das crianças, Júlio César, 30, trabalha em uma empresa de construção e ganha R$ 400 por mês. Ex-trabalhadora rural, Natalina está afastada desde 2003 e recebe R$ 300 do INSS. O marido dela é pedreiro, mas tem hepatite B, sente muitas tonturas e só consegue bicos. “Como a família é grande, gastamos demais: R$ 97 de água, R$ 47 de luz, tem a farmácia, que só no mês passado ficou em R$ 140, e ainda preciso pagar uma pessoa para me ajudar na limpeza e lavar as roupas”. ROTINA Natalina Stalin se levanta às 6 horas volta para cama por volta das 20 horas. Mesmo com dificuldades, prepara o leite para os netos, mas não consegue ficar muito tempo em pé e passa praticamente o dia inteiro na cama. Ela sente dores fortes nas pernas devido à artrose e infecção nos ossos. As pernas não agüentam mais o peso do corpo. Nesta semana, ela caiu no banheiro e bateu a cabeça. O lado direito da testa ainda está com o corte e hematoma do tombo. Apesar dos problemas, a decisão de continuar com as crianças já está tomada: “Eles (os netos) já são meus. Quero vê-los felizes e dar a eles o que não tive. Espero conseguir”, disse Natalina, emocionada.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários