No dia seguinte à fuga de 12 presos da Cadeia Pública do Jardim Guanabara, o sentimento de vizinhos e comerciantes que trabalham próximos à unidade é um só: o medo. Para eles, nem mesmo a forte presença de policiais na área traz segurança. Prostituição, furtos, tráfico e consumo de entorpecentes são comuns nos arredores do presídio.
Ida de Carvalho Matos, 43, tem uma padaria na Rua Antônio Constantino, a cerca de cem metros do presídio. Policiais civis e militares freqüentam diariamente seu estabelecimento. E nem assim ela se sente segura. “Quando acontecem rebeliões e fugas eu só penso em abaixar rapidamente as portas e proteger meus funcionários. O medo é muito grande. Todo dia tem alguma correria aqui em frente”.
O fluxo de viaturas não impede que sua padaria seja alvo de marginais. No domingo passado, um rapaz entrou no local, comeu, bebeu e não quis pagar a conta. Matos acionou a Polícia Militar pelo 190, mas a demora na chegada de uma guarnição possibilitou a fuga do indivíduo. “Eles estavam muito ocupados e não puderam me atender na hora. Faltam policiais e viaturas”.
O mecânico Paulo Rogério Souza Tardelli, 30, morador há cinco anos na Rua Abrão Jorge, fundos do presídio, disse ter testemunhado, neste período, três fugas de presos. Numa delas, no ano passado, sua irmã viveu momentos de terror. Dois detentos pularam o portão de sua residência e se esconderam em seu quintal até serem recapturados por policiais militares poucos instantes depois. “Os presos bateram na porta e pediram para abrir. Ela ficou muito assustada, sem ação. Se a porta estivesse aberta, eles teriam entrado e poderiam tê-la feito refém. É um inferno isso daqui”, disse Tardelli.
O mecânico faz ainda uma comparação inusitada: natural de Guarulhos, cidade da Grande São Paulo com índices de violência superiores aos de Franca, Tardelli disse que sente mais medo aqui do que lá. “Eu telefono toda hora em casa para saber como está minha família. Em Guarulhos a sensação de insegurança é menor que no Jardim Guanabara”, disse.
O corretor de imóveis Wálter Marangoni, 65, que reside há 20 anos próximo ao Cadeião, diz que o medo faz parte da rotina do Jardim Guanabara. “Essa fuga não foi a única, isso acontece com frequência”.
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