Uma equipe de 11 médicos terá 30 dias para analisar o atendimento prestado na Santa Casa de Franca ao menino Paulo Henrique da Silva, 5, morto anteontem durante intervenção cirúrgica. Atingido duas vezes por coices de um cavalo em Restinga, sábado, ele passou duas vezes no PS “Dr. Janjão” antes de ser internado na Santa Casa onde foi operado três dias depois.
A reclamação da família, de que houve demora na decisão de operá-lo, não foi comentada pelo hospital, que, ontem, limitou-se a confirmar a abertura do procedimento. Na terça-feira à tarde, a mãe de Paulo Henrique reclamou de mau atendimento ao Comércio: “Estamos muito tristes e revoltados. Acho que meu filho não foi atendido direito”, disse Neuza Silvestre da Silva. Para o secretário de Saúde de Franca, o veterinário Alexandre Ferreira, trata-se de um caso normal. Segundo ele, o diagnóstico dos médicos foi “coerente”.
O incidente que vitimou o garoto Paulo Henrique aconteceu sábado, quando o menino brincava junto com o irmão de 8 anos e um primo de 9. Ao avistar um cavalo, curiosos, se aproximaram e o menino acabou atingido pelas patas do animal. Socorrido às pressas, acabou no PS “Dr. Janjão”, onde deu entrada as 16 horas. Medicado contra as dores que sentia, foi liberado. Seis horas depois com um quadro composto por vômitos, dores agudas e abdome rígido, foi levado novamente ao PS. Outro plantonista o encaminhou para a Santa Casa sob suspeita de apendicite apesar disso, ele só foi operado três dias depois. Foi quando constatou-se um quadro grave que resultou em septicemia (infecção generalizada) e morte.
O delegado Marcelo Rodrigues abriu inquérito para apurar o caso envolvendo o menino sepultado ontem. Ele pretende ouvir médicos, enfermeiros, familiares e o dono do animal nos próximos dias.
Segundo o delegado, o cavalo não estava solto, mas, mesmo que estivesse, não configuraria crime, pois Restinga não tem lei específica que regulamente a presença de animais de grande porte nas ruas.
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