O coordenador nacional do MLST (Movimento pela Libertação dos Sem-Terra), Jean Gomes, dá praticamente como certa a conquista da Fazenda Santa Cruz, em Cristais Paulista. Tanto é que já faz planos para o assentamento. “Acredito que pela quantidade de famílias hoje acampadas aqui, serão formados lotes com cinco alqueires”, disse. E os projetos vão além. O coordenador pensa em transformar a sede da fazenda em uma escola para as crianças, que hoje estudam em Cristais, e possivelmente em um espaço cultural para os assentados.
Enquanto aguardam posição do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), as 600 pessoas que se encontram atualmente no acampamento da Fazenda Santana, vizinha à Santa Cruz, se apertam em barracos de lona. A maioria é de Franca, Cristais Paulista e Restinga. Algumas passam a semana nas cidades, já que têm emprego fixo. Mas uma grande parcela mora no próprio assentamento. De acordo com o coordenador do MLST, Mauro Marques, alguns sem-terra estão trabalhando para o proprietário da Fazenda Santana.
Caso o sonho do MLST se concretize, outras famílias poderão ser contempladas com um lote na Fazenda Santa Cruz, porque o grupo continua cadastrando pessoas interessadas em seguir a ideologia do movimento. “Fizemos um cadastro em Restinga e mais de mil pessoas estão na lista de espera”, disse Jean Gomes. Essas famílias poderão ainda ser convocadas para novas invasões na região. “Estamos de olho em outras duas propriedades no próprio município de Cristais”, revelou Gomes.
O fato de estar na lista não é garantia de conseguir um lote no futuro assentamento. A assessoria de imprensa do Incra afirma que, se a fazenda realmente for desapropriada, todas as famílias serão cadastradas novamente e passarão pelo processo de seleção.
Para conseguir a terra é preciso atender a alguns critérios impostos pelo Incra, tais como ser brasileiro de nascimento, maior de idade, experiência com a terra, não ter propriedade agrícola e nem ocupar cargo público, entre outros quesitos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.