A tradição de saborear pratos feitos com bacalhau na Sexta-Feira Santa se repetirá na família da dona de casa Ivanilde Imaculada Ribeiro, 58. Mais uma vez, ela reunirá os dois filhos e os quatro netos para o almoço sem carne vermelha em respeito aos costumes cristãos de não consumir o alimento neste dia.
Ela morou na fazenda até os 25 anos, quando se mudou para a cidade e decidiu, com o marido, aderir à tradição da bacalhoada na Páscoa. “Não tenho lembrança de ter comido o peixe na roça, mas já faz mais de 30 anos que preparo um prato especial para a família toda. Adoramos e, nessa época, só de ouvir falar já tenho água na boca.”
A receita predileta de Ivanilde é o bacalhau desfiado com batata, margarina, orégano, mussarela e creme de leite. Com o conhecimento de quem monta a bacalhoada há mais de três décadas, aproveita e dá dicas para dessalgar o pescado. Ela só coloca o peixe de molho no dia em que vai prepará-lo. Para tirar bem o sal, troca a água de uma em uma hora por quatro vezes e também leva ao fogo e deixa até começar a ferver. “Quando ferve, troco a água e coloco para esquentar novamente. Faço isso três vezes. O peixe fica no ponto”, garante a dona de casa.
Descendente de portugueses, a dona de casa Terezinha Simões Rodrigues, 74, também manterá os costumes deixados pelos seus antepassados: consumo de bacalhoada na Semana Santa e jejum durante a Quaresma e o Natal. “Desde pequena, fui acostumada a respeitar o jejum de carnes vermelhas nas semanas antes da Páscoa e comer bacalhoada na Sexta-Feira da Paixão. Para mim, é um grande prazer preparar e comer o peixe, uma das minhas comidas prediletas.”
Terezinha comprou as postas de peixe ontem e preparará a bacalhoada para todos provarem depois de amanhã. As carnes vermelhas só voltarão a fazer parte do cardápio no domingo de Páscoa.
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