Mais saúde em São Paulo


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A população brasileira costuma ser orgulhosa de sua terra. Em cada canto do País um motivo floresce. Em São Paulo não faltam razões. Das melhores universidades aos mais importantes times de futebol. Dos mais respeitados juristas aos melhores médicos e professores. No mês em que se comemorou o Dia Mundial da Saúde (7 de abril), São Paulo tem muito de que se orgulhar. Os paulistas dispõem de unidades de saúde reconhecidas pela qualidade em toda a América Latina. O programa paulista de combate à aids, que inspirou o Brasil e a Organização Mundial de Saúde, é o grande exemplo emblemático dos anos 90. O Agita São Paulo, programa de combate ao sedentarismo, hoje um dos principais problemas de saúde pública no mundo, transformou-se em Agita Mundo, referência para a OMS e foi implantado em 27 países. Em 1995, quando a assistência farmacêutica brasileira ainda era incipiente, a Secretaria Estadual implementou o programa Dose Certa, possível com a reorganização da Furp (Fundação para o Remédio Popular). Naquele ano, cerca de 34 milhões de unidades de medicamentos foram distribuídas aos 645 municípios paulistas. Dez anos depois, o quantitativo pulou para 1,6 bilhão de unidades, com investimento de cerca de R$ 111 milhões. No setor de tecnologia e insumos estratégicos, o Instituto Butantan se consolidou como o maior produtor de vacinas da América Latina, com produção recorde de 107 milhões de doses em 2005. E na área de gestão hospitalar, o modelo de Organizações Sociais de Saúde ganhou reconhecimento do Banco Mundial e 95% de aprovação de usuários. É exemplo para outros Estados. Em 2003 definimos três grandes projetos de saúde imprescindíveis para São Paulo e o Brasil, que serão entregues ainda neste ano, com investimento total de R$ 365 milhões, promovendo um salto de qualidade justamente na produção de insumos estratégicos, assistência farmacêutica e serviços hospitalares. Por intermédio do Instituto Butantan o País se prepara para ser auto-suficiente na produção de vacinas contra a gripe. A expectativa é produzir cerca de 40 milhões de doses anualmente, suficientes para abastecer todo o mercado interno. Sem a necessidade de importar a vacina, o Brasil economizará R$ 100 milhões por ano. O Butantan está desenvolvendo uma vacina contra a gripe aviária, causada pelo vírus H5N1 e alvo de preocupação mundial. Com o avanço das pesquisas, cerca de 20 mil doses poderão ser produzidas ainda este ano. O instituto, que já iniciou a produção, em escala comercial, de uma vacina nacional contra a raiva humana, também fornecerá ao Ministério da Saúde, a partir de 2007, doses da vacina contra o rotavírus, que entrou no calendário de imunização da rede pública, em todo País. A assistência farmacêutica terá expressivo incremento a partir de 2007, com a inauguração da segunda fábrica da Furp, em Américo Brasiliense. A unidade, com 26.700 metros quadrados de área construída, terá cinco linhas de produção de medicamentos sólidos, com capacidade para 1,2 bilhão de comprimidos ao ano, entre anti-hipertensivos, anti-diabéticos, anti-inflamatórios e cardiotônicos. Também haverá uma linha de 17 produtos injetáveis, com capacidade para fabricar 21,6 milhões de ampolas anualmente. Por fim, São Paulo se prepara para ganhar 726 novos leitos com a inauguração do Instituto Doutor Arnaldo, antigo Instituto da Mulher, na região central da capital paulista. Trata-se do derradeiro de 16 esqueletos de hospitais herdados de gestões anteriores, deixado por último porque as demais unidades localizadas em regiões carentes da periferia da região metropolitana tinham maior prioridade. Com 24 pavimentos, oito dos quais destinados exclusivamente ao atendimento às mulheres, o “Doutor Arnaldo” será, na verdade, três institutos de saúde em um: Instituto dos Transplantes, Instituto da Mulher e Instituto do Câncer, todos integrados ao complexo do Hospital das Clínicas de São Paulo e voltados a casos de alta complexidade. Será, certamente, mais uma referência nacional, assim como o HC, o Incor e o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. A percepção dos avanços na área da saúde pública não é imediata. Mas temos a convicção de que São Paulo caminha na direção correta, e que os indicadores de saúde nacionais possam refletir, no futuro, o que a conclusão desses três importantes projetos apenas simbolizará. LUIZ ROBERTO BARRADAS BARATA é médico sanitarista e secretário de Estado da Saúde de São Paulo.

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