Em muitas igrejas do País, adolescentes católicos têm um espaço semanal para rezar, cantar e discutir temas que envolvem religião, conhecido como grupo de jovens. O Ágabe (“amor cristão”, segundo seus membros), da Capelinha de Franca, é um deles. Mas o que leva seus participantes, entre 13 e 19 anos, a estar na Paróquia Nossa Senhora Aparecida às 9 horas dos domingos, enquanto há jovens que não saem da cama por nada nesse mundo?
“Vale a pena porque encontro um caminho que traz felicidade verdadeira. Precisava fazer algo por quem tinha morrido por mim”, disse Angélica Aparecida Alves, 18, lembrando que todo seguidor de Jesus Cristo tem uma missão a cumprir. “Se eu não vier, me sinto vazio. Virou rotina, como acordar e lavar o rosto”, afirmou Bruno Júnior Assis Borges, 19, reconhecendo que é minoria. “Hoje em dia, a juventude prefere ir à baladinha e ficar dormindo até mais tarde”.
Engana-se, porém, quem pense que o grupo seja feito apenas de jovens alegres por louvar a Deus. “A gente percebe que alguns deles estão angustiados, sentindo um vazio tremendo sem saber por quê. Aí, tentamos ajudar indiretamente, sem tornar o problema explícito e gerar constrangimento”, contou Danilo Henrique da Silva, 21, que atualmente, mora no Espírito Santo. Ele freqüentou o Ágabe por mais de um ano, quando era integrante do seminário da Capelinha.
Além de valerem como terapia, as reuniões podem aliviar o peso do cumprimento de um compromisso. “Às vezes, vir à igreja acaba servindo como desencargo de consciência, o que é terrível, pois não há consciência do que se busca por obrigação familiar. É o caso do ateu prático: aquele que diz crer em Deus mas vive como se ele não existisse”, completou o ex-seminarista.
Seguir as doutrinas moralizantes do tempo de Jesus, numa época de liberdades desenfreadas, não parece fácil. “Hoje em dia, há muitas coisas afastando o jovem da igreja e o impedindo de se interessar por ela. É difícil perseverar”, concordou Angélica. Conseqüentemente, a religião acaba deixando sua marca. “Quando você nega ilusões bastante atrativas, como a bebida, e procura um sentido novo para sua vida, abrindo mão de muita coisa, você está sendo um jovem diferente”, concluiu a garota.
Entre o dever e o bem-estar, é possível considerar a vivência religiosa uma opção válida? “Sim, e a maior prova é ver a igreja respondendo às expectativas e preenchendo esse vazio dos jovens que sofrem desorientados”, opinou Danilo. Um caminho de sucesso apenas quando há vontade em dar os primeiros passos. “A igreja está de mãos abertas. Cabe a cada jovem acolher esse chamado”, finalizou Bruno.
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