Acusada se cala; irmão e mãe da vítima se revoltam


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Observada pelo marido Marciano Ferreira, a aposentada Maria Amélia, mãe de Zezinho, chora durante entrevista ao Comércio no local em que o filho teve o corpo queimado: “Estou com o coração partido”
Observada pelo marido Marciano Ferreira, a aposentada Maria Amélia, mãe de Zezinho, chora durante entrevista ao Comércio no local em que o filho teve o corpo queimado: “Estou com o coração partido”
Um assovio. Foi a única resposta que Valquíria, presa em flagrante sob a acusação de matar o marido, deu à reportagem do Comércio. Ela recebeu a equipe na cadeia de São José da Bela Vista, mas preferiu ficar calada diante de todas as perguntas formuladas. O silêncio da mulher manteve o mistério em relação a dúvidas existentes sobre o bárbaro assassinato: por que matou? Recebeu ajuda? A que horas foi o crime? Diante das indagações, nenhuma resposta. O único som emitido pela acusada diante da reportagem foi um assovio irônico. Na manhã de sábado, ao ser presa, o comportamento foi outro. Valquíria falou muito e se contradisse na mesma proporção. Chegou a confessar o assassinato à polícia alegando supostas agressões sofridas, mas voltou atrás e procurou atribuir o crime ao ex-namorado. “Só arrastei o corpo, não sei quem colocou fogo”, disse ao Comércio. O rapaz foi encontrado e apresentou um álibi aceito pelos investigadores. Enquanto a acusada se cala, os familiares da vítima choram e falam com revolta sobre tanta violência. O bárbaro crime, que causou comoção em toda a região da Cidade Nova, parece ter sido encarado com naturalidade pela acusada. Ontem, uma vizinha, que pediu anonimato, contou um fato chocante: “No sábado, quando subi no muro para ver o que acontecia, ela lavava o quintal e cantava música sertaneja ao lado do corpo em chamas”. Foi exatamente este local que os pais e um irmão de Zezinho visitaram ontem. Eles queriam ver de perto o que o coração teimava em não acreditar. “Estou com o coração partido. Não acredito que meu filho morreu desta maneira”, disse, entre lágrimas, a aposentada Maria Amélia Ferreira, 67, mãe de Zezinho. O sapateiro João Donizete Ferreira, 37, irmão da vítima, disse que a família ficou revoltada diante de tanta violência. “Foi uma maldade muito grande. Cheguei a pensar em fazer justiça com as próprias mãos, mas não pretendo fazer isso. Quem faz justiça é Deus”.

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