‘Valquíria’ premeditou morte de sapateiro


| Tempo de leitura: 2 min
Três dias depois, o crime da Rua Prudente de Morais, em que uma mulher matou o marido, o sapateiro José com facadas, marteladas e depois queimou o corpo, continua marcado pelo mais absoluto mistério. Um novo ingrediente, divulgado ontem pela polícia, trouxe revelações tão assustadoras quanto enigmáticas: uma agenda encontrada no quarto da acusada de assassnato contém elementos que podem comprovar a premeditação do crime. A prova documental foi apreendida sábado à tarde pelo investigador-chefe da DIG, Mauro César Melo Pereira, e poderá auxiliar os policiais no esclarecimento do bárbaro homicídio. O Comércio da Franca teve acesso ao teor da agenda. Em seus manuscritos, Veni Aparecida Ribeiro Caetano, 39, a “Valquíria”, escreveu frases que, a princípio, parecem desconexas, mas que podem trazer mensagens ocultas sobre o crime por ela protagonizado. Entre as citações, palavras como canibais, seqüestradores e consumido. Na página datada do dia 19 de março de 2003, um pensamento intrigante: “Aí eu pensei: se eu consertar o homem, o mundo também vai estar consertado”. Na mesma página, um célebre verso (do poema “Mar Português”) de Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Na página do dia 27, outra mensagem que soa premonitória; “Nossas ações terminam por traduzir nossos pensamentos”. Para a Polícia Civil, o mais intrigante e revelador é um desenho feito por Valquíria em data anterior ao crime: uma pessoa em forma de serpente com uma faca cravada na cabeça. Antes de ter o corpo queimado, Zezinho recebeu mais de 20 facadas e marteladas na cabeça. “Perguntei o motivo pelo qual havia feito o desenho e ela disse que foi à toa. Pode ser uma simples coincidência, mas achei estranho e acredito que tenha premeditado o crime. Além do desenho, a mulher comprou quatro litros de álcool e luvas descartáveis na véspera do assassinato. Isso demonstra suas intenções”, comentou o investigador Mauro. A Polícia Civil ainda investiga o caso, mas acredita que Valquíria tenha matado o marido sozinha. Aos familiares, já havia reclamado que Zezinho seria “muito possessivo”. Para os policiais, admitiu que voltara a se relacionar com o ex-namorado. Conversaram na quarta-feira e voltariam a se encontrar no sábado, dia do crime. Valquíria permanece presa e divide uma cela em São José da Bela Vista com outras 18 detentas. Uma de suas prováveis confidentes no xadrez é Aparecida Ferreira Rodrigues, que passou a ser conhecida nacionalmente por “viúva-negra” após matar dois maridos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários