Permitir ou não o consumo de bebidas alcólicas nas dependências da Câmara Municipal de Franca. Em semana de jejuns, abstinências e penitências, o assunto pode colocar alguns vereadores em conflito com o presidente da Casa, Marcelo Mambrini (PMN).
Atualmente, um ato administrativo de Mambrini veda o consumo até mesmo de uma cervejinha nos coquetéis da Câmara. Mas um projeto de autoria do vereador Rui Engrácia (PSDB), previsto para ser votado hoje, pretende derrubar a proibição válida desde o início de 2006. Antes da Era Mambrini, nunca houve empecilho para que se servissem bebidas alcoólicas nos inúmeros coquetéis de homenagens realizadas na Câmara.
Rui Engrácia alega que a proibição vigora sem consulta preliminar aos membros do Legislativo francano. “O ideal é que todos nós vereadores possamos discutir o assunto em conjunto”. Para ele, não há razão para a regra. “Nunca houve nenhum incidente que respaldasse qualquer iniciativa nesse sentido”.
Para Mambrini, o diálogo não é necessário. “Usei das prerrogativas que me são de direito como presidente da Câmara. Não preciso consultar ninguém”, disse para justificar a regra.
Ele afirmou que caberá ao plenário deliberar sobre o assunto agora. Mas deixou claro: “Não concordo com o consumo de bebidas alcoólicas nesta Casa de Leis. Como vereadores, entendo que devemos dar exemplo à sociedade”. Apesar de dizer que não quer bater de frente com nenhum vereador, Mambrini prometeu apresentar emendas ao texto original da proposta.
IRRITAÇÃO
A posição do presidente da Câmara só deve piorar a relação entre ele e os demais vereadores. Quatro sessões atrás, Mambrini se irritou com adiamentos da votação de projetos de sua autoria, chegando até mesmo a insinuar, por meio de sinais, que os outros parlamentares estariam com “dor de cotovelo”. Há duas sessões, dois de seus colegas, Gilson Pelizaro (PT) e Luiz Carlos Fernandes (PDT), o acusaram de tentar apagar o trabalho de outros vereadores. Mambini apresentou um projeto que revogava leis aprovadas há mais de cinco anos.
Episódios como um lanche responsável por atraso no intervalo de uma sessão e o uso indevido de carros da Câmara com propósito particular também já foram protagonizados por Mambrini e lhe causaram transtornos. Colegas de Câmara chamaram sua atenção pelo atraso e, no caso do uso dos carros da Casa, ele teve de comparecer ao Ministério Público para reunião de cerca de três horas, na qual conheceu uma espécie de “cartilha” de boa conduta.
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