O sonho de ser astronauta, que povoa o imaginário de muitos, parece estar mais perto de garotas e garotos brasileiros agora. O exemplo de Marcos Pontes, primeiro homem do País a viajar para o espaço, fortifica a aspiração daqueles jovens que superam a fase de utopia infantil e mantêm a intenção de se transformar em um viajante do espaço. Mas será que esses jovens sabem exatamente o que faz um astronauta?
João Wilson de Oliveira arrisca. “Viaja pelos astros, explora o espaço”. O estudante da 2ª série do ensino médio no COC Franca pretende experimentar a situação de não ter a força da gravidade sob seus pés. Aos 16 anos, João sustenta o propósito de seguir os passos de Marcos Pontes e estuda para isso. “Adoro as Ciências Exatas e penso que meus estudos me ajudarão a conseguir me tornar um astronauta”. O jovem pretende cursar Engenharia Mecatrônica no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) de São José dos Campos-SP. Foi no mesmo ITA que Pontes se formou em Engenharia Aeronáutica em 1996. Ele confirma que o fato de um brasileiro alcançar o espaço significa incentivo para realizar a mesma aspiração. “Claro. Dá pra gente ver que é possível alcançar os objetivos se se esforçar para isso”.
Mas será que João Wilson acertou quando respondeu o que faz um astronauta? Em partes. Além das viagens espaciais apontadas pelo futuro astronauta francano, existem outras responsabilidades que precisam ser assumidas pelos viajantes do espaço. Em terra firme, as atividades de um astronauta existem diariamente e se dividem em três áreas: treinamento, função técnica e trabalho administrativo.
O treinamento é a ocupação prioritária. Basicamente as atividades preparam o tripulante de uma espaçonave para a sobrevivência nos mais variados tipos de terreno e aproximar o astronauta o máximo possível da realidade a ser encontrada fora da órbita terrestre, quando realmente for para o espaço.
A chamada função técnica é composta por tarefas distribuídas com base em uma avaliação do currículo e da experiência de cada astronauta. Marcos Pontes, por exemplo, em virtude de seu mestrado em Engenharia de Sistemas e também de sua formação em Engenharia Aeronáutica, trabalha com testes de equipamentos da estação espacial antes da incorporação dessas “peças” ao módulo já em órbita.
O trabalho administrativo dos astronautas é representar sua nação em reuniões da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana). A partir do momento em que o astronauta recebe oficialmente esse título, ele precisa estar presente em encontros em que se faça necessária a representação da agência espacial de seu país. Ufa! Não é à toa que, antes do Brasil, apenas 35 países já tiveram a chance de enviar um homem ao espaço (leia mais na página B-7).
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