Confusões e estratégias políticas


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Alfredo Palermo O noticiário da vida política nacional e estadual captado pela imprensa de São Paulo está revelando confusões perigosas e estratégias eleitorais até há pouco inadmissíveis. O País está encerrando uma fase política em que a corrupção, a qual envolveu vários partidos e grande número de parlamentares, vive ansiosas disputas na preparação das futuras candidaturas. E é a esse respeito que alguns fatos comentados pela imprensa especializada estão mostrando. Uma das confusões recentemente anunciadas foi a denúncia de que o ex-governador Geraldo Alckmin autorizara gastos de R$ 120 mil com publicidade em uma revista de acupuntura, agora publicada, embora a concessão tenha sido autorizada meses atrás. Os tititis da oposição já se fizeram ouvir. E, infelizmente, há mais: a esposa de Alckmin foi presenteada com 400 peças de roupa para a atividade social, mas isto também está sendo motivo para explorações políticas, no momento em que o ex-governador articula os rumos de sua candidatura ao Palácio do Planalto. Por outro lado, há estratégias eleitorais em curso, em que a falange do PT e a do PSDB disputam o apoio de Quércia, líder do PMDB: uma e outra querem que Quércia desista de qualquer aspiração estadual para apoiar Lula ou Alckmim, optando por um cargo no Senado. São estratégias bem planejadas, porque o PMDB, apesar do fracionamento em duas alas poderosas, seria sempre uma vantagem decisiva para a vitória. Quércia é um político de grande participação popular. Há quase um mês, pesquisas de opinião lhe deram posição de relevo na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. E isso explica a esperança de tê-lo ao lado do PSDB, apoiando Serra e Alckmin. Tudo, portanto, caminha para uma coalizão que os eleitores do PT ou do PSDB querem festejar. Vale lembrar uma velha lição de cem anos que José do Patrocínio, em artigo no jornal O País (23.10.1903), publicou com o título “Através das sombras”: -”O nosso povo não faz política, é exato, por isso mesmo um punhado de homens, com um pouco de audácia, pode triunfar fazendo política por ele”. ALFREDO PALERMO é professor, advogado, historiador, jornalista e escritor membro da Academia Ribeirão-Pretana de Letras e da Academia Francana de Letras. Colabora com o jornal Comércio da Franca há mais de 60 anos.

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