Na semana passada, a Paróquia de Santana, no Jardim Aeroporto, recebeu uma visita indesejável. Aproveitando-se do momento em que o padre Ângelo Pignoli, 59, saiu da casa paroquial, assaltantes pularam o muro da residência para furtá-la. Poucos dias antes, a capela Santa Catarina, no Parque Universitário, ficou sem o seu antigo sacrário, que foi levado cheio de hóstias.
Para Pignoli, a preocupação com segurança ocupava um papel secundário nas finanças da paróquia, que tem cinco capelas e está construindo uma matriz. “Não sei como faremos, porque não temos recursos. Estamos no meio de bairros carentes”, disse o padre, inconformado pelo fato de que o dinheiro que poderia acelerar seus projetos nas igrejas que comanda terá que ir para a sua fortificação.
Na Igreja de Santo Antônio, no Bairro Cidade Nova, uma imponente grade fecha toda a frente do templo, reservando apenas um pequeno portão para a passagem dos pedestres. Apesar de ter perdido as contas de quantas vezes foi assaltado (em alguns períodos foram quatro vezes em um mês), o padre Reinaldo Ferreira Pequeno disse que submeterá ao conselho da igreja a aprovação de um projeto de segurança, embora, de antemão, diga que é contra. Ele entende que a decisão fere os princípios religiosos mais elementares da Igreja Católica. “Temos que acolher, não afastar as pessoas que vêm aqui. E isso é muito negativo”.
Mesmo não sendo totalmente favorável, outro religioso, o frei Mauro Luiz de Oliveira, da São Judas Tadeu, mantém, há três anos, seguranças particulares para proteger seus fiéis todos os dias, sobretudo nas missas de domingo. Pelo aparato, estima-se que gaste mais de R$ 2 mil mensais. “Trata-se de uma prevenção, mas não adianta se não investirmos na base, na formação das crianças e no social”, disse ele.
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