A fé entre grades


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O frei Mauro de Oliveira posa ao lado do portão que fecha a São Judas Tadeu, igreja que contratou seguranças para o período das missas
O frei Mauro de Oliveira posa ao lado do portão que fecha a São Judas Tadeu, igreja que contratou seguranças para o período das missas
A aura de santidade permanece no lugar, mas o sossego já desapareceu faz tempo. Com igrejas sendo assaltadas com freqüência em Franca, padres e párocos estão fechando a casa de Deus, fazendo o que seria impensável em outros tempos. Um levantamento informal do Comércio da Franca mostra que os religiosos estão preocupados com a violência, restringindo o acesso e procurando meios para proteger os bens da igreja, os fiéis e a si mesmos. Nas 13 paróquias de Franca, incluindo-se a Catedral, no Centro, a preocupação com a segurança está fazendo com que o dinheiro obtido pelas 61 igrejas, antes destinado a ajudar famílias em necessidade ou risco social, vá parar em projetos de cercas elétricas, alarmes e construção de altos muros. Quinta-feira, a reportagem ligou, aleatoriamente, para 17 igrejas na cidade. Das sete que aceitaram falar, quatro foram assaltadas. Nas demais, funcionários evitaram comentar o assunto ou ninguém foi encontrado. Seis entrevistados admitiram sentir medo. Na maioria dos casos, a porta de entrada para os assaltantes é a casa paroquial, construção anexa às igrejas. A cobiça dos ladrões seria atiçada pelo dinheiro normalmente guardado durante o fim de semana ou depois de eventos beneficentes. O assalto à casa da Paróquia São Vicente, no Jardim Tropical, na madrugada de terça-feira, apenas apressou a decisão de alguns padres em recorrer menos ao Divino e mais aos dispositivos terrenos de segurança para sua própria proteção. Neste assalto, o padre Idair Perina, 42, teve roubados R$ 5 mil, folhas de cheque, documentos pessoais e um celular. Dominado enquanto dormia e logo em seguida amarrado, não reconheceu seus agressores. Agora, estuda brechas no orçamento para instalar alarmes no imóvel. “Não vejo isso como uma onda de violência contra as igrejas, mas vamos nos precaver”, disse ele. Na Catedral, a crença na bondade humana ficou apenas para as homilias das missas. Aos fundos da igreja, cercas elétricas tentam impor algum respeito, desestimulando quem esteja tentado a pular os muros da secretaria da cúria. Dentro do templo, o batistério já há tempos recebeu grades para proteger as relíquias que estão guardadas no local. Assim como na São Judas Tadeu, onde o frei Mauro Luiz de Oliveira mantém seguranças para proteger aqueles que só querem orar, também no Centro da cidade, vigias são vistos com freqüência, na tentativa de manter afastada qualquer possibilidade de assalto. Os religiosos entrevistados não escondem a preocupação com os casos de roubos, furtos e invasões, mas evitam falar abertamente sobre o assunto, temendo que a propagação dos casos afaste as comunidades de suas igrejas. Colaborou Fernando Calixto

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