João Carlos Furlan de Oliveira está fora. O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) decidiu demitir o responsável pela liqüidação do Dinfra (Distritos Industriais de Franca), na tarde de ontem, um dia depois de o vereador e radialista Marcelo Valim (PSDB) ter exigido sua saída do cargo. Furlan, indicado pela prefeitura para cuidar do processo de extinção do Dinfra, enfrentava suspeitas de improbidade administrativa há meses. O Comércio da Franca e a rádio Difusora denunciaram as ligações pessoais de João Furlan com empresas que havia contratado, sem licitação, para prestar serviços ao Dinfra e à Emdef. Desde ontem, o responsável pela empresa é o secretário de Planejamento e Gestão Econômica, Sebastião Ananias.
Valim foi o primeiro a ser comunicado da dispensa. O próprio Sidnei Rocha ligou para o colega de partido, por volta das 14h30, para comunicar sua decisão: “Já atendi seu pedido”. Foi uma conversa rápida. “Achei justa sua demissão, pois além de ter feito coisas estranhas no Dinfra, o Furlan tinha muita regalia pelo pouco que fazia lá”, disse o vereador.
A mesma deferência reservada por Sidnei Rocha a Valim não foi estendida a Furlan. O liquidante só foi informado de sua demissão pela reportagem do Comércio da Franca, por volta de 15h30, quando ainda acreditava estar no comando do Dinfra: “Não fui comunicado. O Dinfra é uma autarquia e eu sou liqüidante”, disse, sem esconder a surpresa.
Oficialmente, a prefeitura atribui a demissão ao corte de gastos, mas as denúncias de irregularidades e a pressão de vereadores e da imprensa foram decisivos para a saída de Furlan. Assessores diretos do prefeito garantiram ao Comércio que Sidnei Rocha ficou irritado com a revelação de que Furlan teria ligações pessoais com empresas que contratou para o Dinfra. Acuado pelas denúncias e sob investigação do Ministério Público, o prefeito teria fixado esta semana como prazo limite para que Furlan se demitisse. Como ele não emitia qualquer sinal de que apresentaria seu pedido de demissão e a pressão sobre o governo municipal ganhava intensidade, Sidnei Rocha resolveu agir e determinou seu desligamento.
HERANÇA
A saída não reduz as responsabilidades de Furlan durante o período em que comandou o Dinfra. “Vou até o fim nesta história.
Quero, agora, ver o contrato do Dinfra com as empresas que ele contratou. Se eu constatar alguma irregularidade, ele terá que pagar por ela”, disse Valim. O vereador petista Gilson Pelizado, que desde o ano passado denuncia ações irregulares no Dinfra, também cobra mais providências. “Não basta a demissão. É preciso averiguar sua responsabilidade na subcontratação de empresas. Cobrarei isso da Promotoria”.
O Ministério Público Estadual continuará as investigações sobre a gestão de Furlan. O promotor Paulo Borges disse que, se ficar comprovada irregularidade nas ações do ex-gestor, haverá punição. “Se confirmada, a triangulação entre Furlan e as empresas caracterizará violação à moralidade administrativa. Estejam onde estiverem, os culpados serão responsabilizados”.
HISTÓRICO
Furlan é acusado de contratar as empresas Akkar Engenharia e Qualiterra Tecnologia Ambiental de maneira irregular para levantar o patrimônio do Dinfra e da Emdef. A primeira foi contratada apenas dois meses após sua fundação, não tendo referências para prestar tais serviços. A segunda seria parceira comercial da Exacta, empresa que tem João Furlan como sócio-fundador. Todas as contratações aconteceram sem licitação.
Os gastos do ex-liqüidante também pesaram contra ele. Furlan recebia R$ 9 mil mensais - mais que o próprio prefeito - e contava com hotel, carro da prefeitura à disposição e combustível pagos pelo governo municipal.
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