Em lugar de gritos e buzinas, sussuros e silêncio


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Patrícia Paim da Redação Depois de São Joaquim da Barra, Orlândia poderá ser a próxima cidade da região a ter sua rotina alterada devido à Lei do Silêncio. As novas regras poderão ser implantadas a partir do projeto do vereador Eduardo Elias Antônio Mourani (PSDB). Mas antes a matéria terá que passar pelo crivo dos demais vereadores. O curioso é que o município já tem uma Lei do Silêncio implantada em maio de 2001. Para Mourani, ela deve ser revogada, pois, segundo ele, é superficial e só trata da propaganda veiculada por carros de som. A nova proposta estabelece que deverão ser respeitados 60 decibéis entre 8 e 21h59 e 55 decibéis das 22 às 7h59. A diretora do curso de fonoaudiologia da Unifran (Universidade de Franca), Cristiane Fregonesi Dutra Garcia, até aprova a idéia, mas considera os índices inflexíveis. “Uma conversa normal entre duas pessoas atinge fácil os 60 decibéis. O barulho ocasionado pelo trânsito pode chegar a 80 decibéis”, explica ela. O vereador Eduardo Elias afirma que os critérios estabelecidos estão de acordo com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e que a proposta é que o sossego público seja respeitado. “Estou agindo como cidadão, pois me irrito muito com barulhos ocasionados por carros de som”, disse ele. A lei nem entrou em vigor e já causa polêmica. “Algumas pessoas estão reclamando. Mas o direito de um começa onde termina o do outro”. Seja como for, o fato é que, se entrar em vigor, a Lei do Silêncio certamente gerará revolta por parte dos moradores que terão que se submeter, por exemplo, a não soltar foguetes e nem andar com o som do carro em volume baixo. Trio-elétrico ou shows então, nem pensar. Animais que perturbem a vizinhança também estão proibidos. Já os políticos da cidade podem dormir tranqüilos: alto-falantes utilizados em propaganda eleitoral, principalmente em época de campanha, serão permitidos.

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