Haja óleo de peroba para tanta cara-de-pau a ser polida neste País. O brasileiro honesto, pagador de impostos e desejoso em demonstrar bons exemplos aos filhos, netos e etc. cora de vergonha e quase enfarta ao ver os jornais, noticiários de TV, rádio e revistas informarem os acontecimentos políticos mais absurdos imagináveis e inimagináveis possíveis.
No picadeiro está o povo brasileiro, servindo de espetáculo para o nem tanto respeitável público que confortavelmente ocupa suas cadeiras, que faz da política seu meio de sobrevivência velhaca, de acordos suspeitos, comportamentos camaleônicos, que astutamente serpenteiam e picam milhões de compatriotas, negando-lhes terminantemente o antídoto chamado verdade, que libertaria o cidadão brasileiro de ver, ouvir e viver amargando o sentimento de ser enganado por mais um tempo. Infelizmente, a cura é extraída da própria víbora (um mal necessário), porém, útil para a sobrevivência da nossa jovem democracia e da possível mudança que corações esperam um dia sentir.
No centro do circo, vários artistas (trabalhadores brasileiros) se apresentam. O primeiro deles, o malabarista, que avança meio que inseguro e tímido tentando um malabares com seu salário ínfimo que quase nunca o alimenta suficientemente, enfraquecendo-lhe as forças para prosseguir por mais algum tempo no espetáculo da vida, que parece não ter nunca um final justo. No canto esquerdo está uma contorcionista que tenta dedicadamente descobrir posições que lhe ferem os ossos, estiram-lhe os músculos, quase quebrando-a, quando a busca pela sobrevivência digna, que deveria ser assegurada basicamente a ela, está distante pela inércia dos governantes. Bem ao lado, um mágico inicia seu número, que poderia ser facilmente confundido com aqueles que realizam milagres - tentando fazer render o seu salário, distrair seus filhos para não sentirem a exclusão social que assusta e empurra para as margens, esforçando-se na difícil empreitada da multiplicação do pão que falta na mesa, ou, enganando a fome que dói não só no estômago, mas também na alma.
Já ao fundo, o último dos artistas, talvez o mais aguardado pelo público presente: o palhaço! Está vestido a caráter, não esboçou nenhum movimento, não contou nenhuma piada e, mergulhado em seus mais íntimos pensamentos, é surpreendido com gargalhadas desenfreadas que num só coro surgem cinicamente da platéia, sentindo-se ridicularizado e desrespeitado. O seu olhar triste passeia entre os espectadores de ternos caros, charutos importados, acompanhados por prostitutas de luxo, alugadas por uma pequena fortuna, e aquelas velhas ostentações às custas do sofrimento de muitos, quando a maioria dos artistas desse circo é composta de miseráveis. Os artistas jamais recebem algo que contribuiria para a melhoria de suas vidas por parte desses poderosos e, sim, o pouco de esperança que ainda resta é tungado capciosamente em nome da manutenção da orgia culturalmente viciada de alguns representantes da Nação, comprometendo o futuro de nossa posteridade e dando reinício a mais uma rodada do ciclo imoral e criminoso que merece um fim.
Mas, nem tudo está perdido, existem ainda homens honrados e comprometidos com este amado País, que merecem a confiança e o respeito de seus irmãos. Quanto àqueles corruptores e corruptos já não se pode dizer o mesmo. Eles foram tragados e aprisionados pelo espírito ganancioso que assenhorou-se deles, transformando-os em bastardos inimigos da Pátria de impossível regeneração.
No entanto, ainda contamos com o tempo. As gerações que estão surgindo, quando corretamente forjadas, se encarregarão gradativamente em tentar desarraigar grande parte do nódulo maligno instalado na política brasileira, que já alcança instituições e adoece outros poderes.
Em meio à asquerosa jogatina corporativista-política, aos amigos do rei, e aos diversos outros segmentos que sustentam todo este circo político tupiniquim, que subestima a inteligência do povo brasileiro. O importante é que, em ano de eleições se relembre o que disse John F. Kennedy: “Perdoe seus inimigos, mas não esqueça seus nomes”.
RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é servidor público e membro do Conselho de Leitores do Comércio da Franca.
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