Melissa Toledo
Correspondente em Batatais
O diretor clínico da Santa Casa de Batatais, Said Miguel Júnior, anunciou ontem que os médicos plantonistas à distância do hospital voltarão hoje ao trabalho, depois de cinco dias de paralisação. A decisão foi tomada após um acordo intermediado pelo promotor Alexandre Padilha, em que ficou definido que a prefeitura arcará com um valor superior ao acordado anteriormente, possibilitando o pagamento pleiteado pelos médicos.
O corpo clínico da Santa Casa havia paralisado o atendimento de sobreaviso em protesto por não receber pelos plantões à distância. “O problema foi solucionado. A prefeitura vai dar uma parte maior que a Santa Casa”, disse Said.
Com o acordo, serão destinados R$ 30 mil para o pagamento dos médicos. Desse total, R$ 20 mil serão pagos pela prefeitura, contrariando um acordo anterior, feito em janeiro, em que Santa Casa e prefeitura arcariam cada qual com a metade do valor. “Para não prejudicar o povo tive que entrar na discussão. Avaliei a crise e, embora não seja obrigação da prefeitura, resolvi fazer um sacrifício e aumentar o valor a ser repassado, já que a Santa Casa, a responsável pelo pagamento, não quer fazê-lo. A partir deste mês, os médicos já estarão recebendo”, disse o prefeito José Luís Romagnoli (PTB).
O caso se agravou depois que duas mulheres grávidas tiveram que ser transferidas às pressas para hospitais da região para darem à luz. “Inicialmente o paciente é atendido pelo médico plantonista. Depois, se necessário, solicita-se a presença de um médico especialista. Nestes dias, como não havia nem escala, os pacientes tinham de ser transferidos após fazermos uma busca pela central de regulação de vagas”, disse José Roberto dos Reis, administrador da Santa Casa.
Uma das gestantes, DJS, 19, registrou boletim de ocorrência na madrugada de ontem, depois de ter procurado a Santa Casa e ser informada de que seu filho não poderia nascer naquele local por falta de obstetra. Ela foi transferida para Ribeirão Preto e a Polícia Civil registrou ocorrência de averiguação de omissão de socorro. O delegado de Batatais, José Arnaldo Andreotti Júnior, disse que DJS será ouvida pela polícia. “Assim que ela estiver restabelecida será intimada para prestar outros esclarecimentos e dependendo de seu depoimento pode ser que seja instaurado inquérito ou, caso não tenha sofrido nenhum dano, a ocorrência será arquivada”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.