Terça-feira, 22 horas. O lavrador Honório Lemos Ferreira, 63, deixa sua casa no Jardim Aeroporto I em direção ao posto do INSS localizado no Centro de Franca. Uma noite sem dormir e repleta de desconforto o aguarda. “Minha perna, meu quadril e minha bacia doem quando há muito esforço”. Depois de mais de dez horas de vigília, ele consegue marcar a perícia de que precisa, mas nem todo o desgaste é suficiente para garantir solução aos problemas do lavrador que tem como única fonte de renda o benefício recebido da Previdência. Para sua decepção, a consulta só será realizada em 22 de maio.
Há dois anos, o lavrador sofreu um acidente de carro. Quando ia trabalhar, um veículo em alta velocidade se chocou com o seu, na entrada da chácara onde prestava serviço, próximo a Ribeirão Corrente. A bacia, o quadril e a perna de Honório sofreram lesões graves e, desde então, ele está afastado do emprego por acidente de trabalho. Mas, em 5 de março, a perícia do INSS o considerou apto a retomar suas atividades. Segundo o lavrador, desde então, ele não recebe mais o benefício do afastamento. “Com a demora no agendamento do novo exame, ficarei mais um bom tempo sem receber”, disse o lavrador, que depende dos R$ 350 que recebia para sobreviver.
A demora para o agendamento de perícias no posto de atendimento do INSS de Franca tem explicação. Desde 18 de fevereiro, nove médicos que prestavam serviço ao instituto como credenciados tiveram de deixar de atender em razão de determinação federal. O descredenciamento fez com que toda a procura pela perícia ficasse centralizada no posto, que conta apenas com três médicos para o atendimento à população. A demora, a partir dessa modificação, foi inevitável.
Luiz Donzelli vai ao posto do INSS todos os dias. Ele é dono de um escritório de prestação de serviços a pessoas que desejam se aposentar. Donzelli afirma que pôde notar grande diferença no prazo decorrido entre o dia da marcação de uma perícia e a data da realização dos exames depois que o número de peritos foi reduzido. “Antes, demorava no máximo dez dias”. No caso de Honório, que preferiu chegar ao INSS às 22 horas de terça para marcar sua perícia na quarta, esse prazo foi ainda maior. Exatos 47 dias.
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