Furto de cartões expõe fragilidade de segurança da CEF


| Tempo de leitura: 2 min
O desvio de cartões do programa Bolsa Família dentro da agência central da CEF (Caixa Econômica Federal) e a forma como os pagamentos foram sacados pelo vigia mostram como o sistema de segurança dos bilhetes e do próprio banco são falhos e possibilitam furtos e fraudes. Sem maiores dificuldades, um funcionário terceirizado da instituição furtou pelo menos 15 cartões e retirou R$ 2,1 mil de caixas eletrônicos. O montante total do prejuízo ainda não foi calculado. O dinheiro seria destinado a famílias carentes atendidas por programas sociais do governo Federal. Conforme o noticiado com exclusividade pelo Comércio da Franca e pela rádio Difusora ontem, o vigia ALSP, 30, se aproveitou de um descuido dos funcionários do setor dos caixas e teve acesso aos locais em que estavam guardados os cartões. Furtou pelo menos 15 unidades. Como todos os bilhetes do Bolsa Família tinham uma pré-senha, supostamente para agilizar o atendimento dos beneficiários, ficou fácil para o segurança se apoderar dos recursos: durante o mês de março, ele efetuou quatros saques, nos dias 1º, 3, 14 e 21. Para não levantar suspeitas, agia sempre após as 18 horas, quando não havia mais ninguém no interior da agência. Seu plano foi descoberto no dia 23, quando beneficiários foram buscar os cartões na Caixa e não os encontraram. Os bilhetes haviam desaparecido. Ao assistir a fita do circuito interno de TV, o gerente Márcio Junqueira constatou que o vigia usava os bilhetes para sacar indevidamente o dinheiro. Descoberto o crime, investigadores da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) foram chamados para desarmar o acusado. Logo depois, o vigia apresentou sua demissão. A facilidade com que o segurança teve acesso aos cartões com as respectivas senhas deixou correntistas do banco preocupados. O temor é de que os cartões da instituição também possam ser usados irregularmente por terceiros. Ontem, a Caixa Econômica Federal, por meio de sua assessoria de imprensa, procurou tranqüilizar os clientes. “Trata-se de um fato isolado (o desvio do Bolsa Família), que já está sob apuração, e não tem qualquer interferência nas outras operações do banco”. INVESTIGAÇÃO Apesar de ter sido descoberto no dia 23 de março, o furto no interior da Caixa só começou a ser investigado pela Polícia Civil de Franca após o Comércio e a Difusora denunciarem o desvio dos recursos federais. O Boletim de Ocorrência foi registrado às 11h30 no 1º DP. O inquérito estará a cargo do delegado Gilberto Frejuello, que indiciará o vigia por furto qualificado. O acusado será intimado a prestar depoimento nos próximos dias. A pena prevista para este tipo de crime é de dois a oito anos de reclusão. A Caixa Econômica também enviará um relatório à Polícia Federal, com sede em Ribeirão Preto.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários