Ler as notícias publicadas pelo Comércio da Franca nos últimos dias sobre o consumo de drogas por crianças e adolescentes em bairros da cidade suscitou-me alguns questionamentos: Qual é o papel da sociedade frente a esses acontecimentos? O emprego dos princípios éticos poderá nos auxiliar a salvar essas pessoas?
Dividir essa responsabilidade com todos os habitantes da cidade é de difícil aceitação. Mas pensemos um pouco em qual papel assumimos em nosso cotidiano. Somos tão preocupados com nossas vidas, que na maioria do tempo não incluímos o outro em sua essência. E assim levamos nossas vidas.
O que realmente esquecemos é de nosso comportamento ético, que vem do grego ethos, modo de ser, caráter, ou seja, você frente à vida.
O sistema capitalista nos ensina e impõe uma ética da responsabilidade que desconsidera os efeitos das nossas ações sobre outros seres humanos, levando em consideração somente o interesse do eu, ignorando a maioria que está fora desse sistema.
A ética é a reflexão crítica para a ação, que tem como fim último a alteridade.
Fundamento meu pensamento reportando à História. O genocídio ocorrido no holocausto, os crimes ocorridos na América, Ásia, África e na Europa, por exemplo, do século 16; firmou-se a idéia de que os índios não tinham alma, por isso não eram pessoas, poderiam ser mortos e escravizados como animais. O que os gregos chamariam de hybris, desequilíbrio psíquico e social.
Assim, quando vemos que crianças e adolescentes estão agindo desta forma, é porque estão atirados à periferia da consciência da sociedade, ou seja, se não nos organizarmos em favor da vida, viveremos uma desordem mundial que fatalmente entrará em choque com o futuro.
Precisamos de uma nova filosofia de vida, priorizando os valores fundamentais, comuns a todas as tradições religiosas: respeito e valor à vida humana. Não com a idéia de governar a vida, mas de conservá-la, garantindo dignidade a todos.
Por fim, a imprensa assume papel fundamental no âmbito social, pois ela é a mediadora que reporta os fatos: da sociedade e do governo, ou seja, são os olhos, ouvidos e o grito do povo. Mas também deve ser conscientizadora e incitar o debate reflexivo. Assim terá leitores ativos e participantes que cumprirão seus deveres e cobrarão seus direitos sociais.
Elaine Maria Machado
é filósofa, graduanda em psicologia e membro do Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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