‘Foi como se eu tivesse nascido de novo’, diz Luciano Rocha


| Tempo de leitura: 2 min
Luciano da Silva Rocha ainda está sentindo os prazeres da liberdade. A palavra revolta parece não fazer parte de seu vocabulário. Mesmo tendo ficado preso por quase dois anos, fala com tranqüilidade da injustiça a que foi submetido. Também afirma não guardar mágoas, nem rancor da adolescente que o acusou. Ontem, falou ao Comércio sobre sua história. Comércio da Franca - É possível descrever o sentimento de ser colocado em liberdade? Luciano Rocha - Foi como se eu tivesse nascido de novo. Estou muito feliz em poder provar que sou inocente. Comércio - Como foi o período em que passou na cadeia? Luciano - Muito sofrimento. Não é fácil ficar lá dentro, não. Somos ameaçados e humilhados. Minha sorte foi que os presos viram que eu era inocente e me respeitaram. Não fui agredido por eles. Comércio - Como é ficar preso sem ter cometido crime? Luciano - Ficar preso já é ruim, mas ficar preso sendo inocente é muito pior. Em alguns momentos, batia uma revolta grande. Eu chorava para desabafar. Tive tranqüilidade e sabia que a verdade seria provada mais cedo ou mais tarde. Comércio - O que fazia em São Joaquim quando foi preso? Luciano - Estava ajudando meu pai montar estruturas metálicas. Dali a pouco, a polícia chegou e me prendeu. Fui algemado e levado para a cadeia. Não adiantou eu falar que era inocente. Comércio - Qual foi sua reação quando foi condenado? Luciano - Fiquei calmo. Não mudei nada. Sempre acreditei em Deus. Comércio - Na quinta-feira você deixou a cadeia pela porta da frente. Como foi? Luciano - Na hora em que a doutora Raquel disse que eu estava livre, pensei até que ela estava brincando. Não acreditei. Foi um momento maravilhoso, inesquecível. Chorei de emoção. Agradeço muito a ela por tudo o que fez por mim. Comércio - O que pretende fazer agora? Luciano - Quero começar uma nova vida e voltar a trabalhar. Vai ser difícil, mas quero esquecer tudo. Fiquei abalado psicologicamente. Dinheiro nenhum paga o que passei, mas deveremos processar o Estado. O erro não pode ficar impune. As autoridades precisam tomar mais cuidado e não podem sair condenando os outros de qualquer jeito.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários