Serralheiro livre após dois anos preso por engano


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Colocado em liberdade, o serralheiro Luciano da Silva Rocha agradece a advogada Raquel Andrucioli por ter conseguido provar sua inocência: “Agora, só quero recomeçar minha vida”
Colocado em liberdade, o serralheiro Luciano da Silva Rocha agradece a advogada Raquel Andrucioli por ter conseguido provar sua inocência: “Agora, só quero recomeçar minha vida”
O serralheiro Luciano da Silva Rocha, 20, morador do Jardim Paineiras, zona norte de Franca, ficou preso dois anos por causa de um erro da polícia e da Justiça. Confundido com um estuprador, foi julgado e condenado a 14 anos e oito meses de reclusão. O puro e simples reconhecimento por parte da vítima foi suficiente para a pesada condenação. A incrível falha foi constatada semana passada pelas autoridades. Luciano deixou a cadeia na quinta-feira e sua família processará o Estado por perdas e danos. A história começou no dia 19 de junho de 2004, às 23h15, quando uma adolescente de 15 anos foi estuprada em um terreno baldio em São Joaquim da Barra. O agressor era um homem negro, alto e forte. No dia 5 de julho, Luciano foi até a vizinha cidade prestar serviço juntamente com seu pai. Ao terminar o trabalho, por volta de 21 horas, teve a infelicidade de cruzar o caminho da jovem que havia sido violentada dias antes. Ao vê-lo, a garota o “reconheceu” na hora e chamou a polícia. Apesar de negar o crime, o serralheiro foi preso e recolhido à cadeia da cidade. No ano passado, foi condenado pela juíza Maria Clara Schimidt Freitas. “A condenação foi baseada exclusivamente no reconhecimento. Não havia materialidade nenhuma”, contou a advogada Raquel Andrucioli. Convicta da inocência de Luciano, ela começou um árduo trabalho de levantamento de provas para tirá-lo da cadeia. O acusado não tinha antecedentes, trabalhava e era querido por todos no Painerias. “Os moradores do bairro afirmaram que ele estava em uma quermesse no dia e hora do estupro. Eles chegaram, inclusive, a fazer um abaixo-assinado para provar sua inocência”. O documento foi juntado ao processo. A advogada ganhou o apoio do delegado José Bernardino Alecrim, responsável pelo 1º DP de São Joaquim. Acreditando na inocência de Luciano, o policial vinha investigando o caso sob sigilo há um ano. Na semana passada, descobriu que o verdadeiro estuprador era um adolescente que tinha 17 anos na época do crime. Ele e Luciano foram fotografados e as imagens mostradas para cinco vítimas de estupros ocorridos naquela cidade, inclusive a que havia culpado o serralheiro. Todas reconheceram o outro rapaz como sendo o autor dos crimes. A vítima confirmou o novo reconhecimento diante da juíza Maria Clara, a qual decidiu pela liberdade provisória de Luciano.

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