Há alguns anos, o grafite era tido por muitos como um ato de vandalismo. Para outros, uma forma popular e artística de se expressar. Controvérsias à parte, o fato é que a grafitagem, hoje, conquistou o status de arte e vem ganhando cada vez mais o respeito merecido.
“O grafiteiro é um pouco marginalizado sim”, disse o arquiteto e empresário Guilherme Bachur Sicchierolli, 29, que faz grafite desde os 15 anos. “No começo, quando era mais novo, a gente fazia em muros, prédios abandonados. Depois, quando entrei na faculdade, fiz oficinas e comecei a ministrar palestras sobre o assunto nos encontros de arquitetura”, explicou. A paixão por essa forma de arte urbana continuou após a formatura. “Depois que me formei, comecei a trabalhar com o grafite só que mais voltado para a decoração. Já pintei motéis, lan houses, quartos de crianças”.
Mas, assim como alguns artistas plásticos já reclamaram, até mesmo em matérias publicadas neste caderno, ele se queixa do indevido reconhecimento. “Geralmente, o que se quer pagar por um grafite não compensa o trabalho todo que se tem para fazê-lo”, lamenta Sicchierolli, que atualmente só faz grafitagem por hobby.
O arquiteto acredita que deveria haver programas sociais que lapidassem melhor esses talentos que podem ser encontrados nas ruas. “Esse pessoal que faz grafitagem em muro geralmente não tem tanto poder aquisitivo, não pode fazer cursos, se especializar. É uma arte que está trancada dentro da pessoa e que precisa ser liberta e melhor aproveitada”.
Grande parte das críticas feitas contra esse tipo de arte se deve às inúmeras fachadas, monumentos históricos, igrejas e todo um conjunto de locais pichados indiscriminadamente. “É preciso fazer um trabalho organizado para que haja conscientização e essa forma de expressão não deixe de ser arte para se transformar em poluição visual”.
Na década de 80, Franca desenvolveu um bom projeto que incentivava menores grafiteiros a se expressarem artisticamente. “É um potencial, uma energia que deve ser canalizada para a produção de algo que dê prazer a quem grafita e a quem olha o grafite”, diz Tatiana Medeiros, 30, psicóloga.
O maior artista brasileiro (na verdade, etíope naturalizado brasileiro) do gênero foi Alex Vallauri, que espalhou seus grafites pela cidade de São Paulo e, mais tarde, Nova York. Em 1985 ele fez o maior sucesso com a instalação “Festa na casa da rainha do frango assado”, na 15ª Bienal Internacional. Morreu dois anos depois.
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