As unidades da Febem vivem em estado de conflito iminente. A rotina e a superlotação, sem nenhuma perspectiva de mudança, são uma afronta à dignidade humana.
Essa estratégia do governo de enfiar o adolescente infrator num simulacro de prisão e jogar a chave fora não funciona.
O tamanho dessa encrenca ganhou nova evidência com a seqüência de rebeliões em unidades da Febem.
A perversidade do sistema é ainda maior se comparada à miscigenação de crianças com 13, 14 anos presas por furto, e marmanjos com 17 anos donos de um pesado currículo de crimes.
Se os governos não mudarem o jogo, criarem projetos voltados para a inclusão social da criança e do adolescente, e impedirem situações como as vividas na Febem, o País jamais terá condições de se inserir no mundo globalizado. Se faz necessário, urgentemente, criar possibilidades de atuar decisivamente no futuro de um jovem, para o que muitas vezes bastam a perspectiva de convívio social e o aprendizado profissional, sem falar, é claro, de um bom prato de comida.
Ana Célia de Freitas
é educadora e atua na área de Educação Infantil
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